Ian Langsdon/EFE
Ian Langsdon/EFE

No Festival de Cannes, Wim Wenders volta ao documentário em grande estilo

Diretor lança longa sobre Sebastião Salgado com o filho do fotógrafo, Juliano Ribeiro

Luiz Carlos Merten, Enviado Especial a Cannes - O Estado de S. Paulo

20 de maio de 2014 | 20h35

É sempre o momento mais emocionante de Cannes – a recepção do público. Foram longos minutos de aplausos no final da sessão de O Sal da Terra, o documentário que Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado dedicam ao pai do segundo. O Sal da Terra passou ontem na seção Un Certain Regard. O filme tem um subtítulo – A Journey with Sebastião Salgado. Logo de cara, Wenders conta que há 20 anos descobriu uma foto que o impressionou. Não sabia quem era o artista. Pertencia à série de imagens que Sebastião Salgado colheu em Serra Pelada. Na galeria, mostraram ao grande diretor outras fotos. Ele se apaixonou por uma – a de uma mulher tuareg cega, que hoje ocupa lugar destacado em sua mesa de trabalho.

As fotos foram feitas por um grande artista e um aventureiro, diz Wenders. E ele acrescenta – "Por alguém que ama o ser humano. E os homens são o sal da terra". A jornada – a viagem – se faz cronologicamente. E mostra como, depois de se afirmar como fotógrafo social, Sebastião descobriu o planeta e virou ambientalista. Para Juliano, o filme também é uma descoberta – a do pai como ser humano. Tantas vezes Sebastião ficou longe dele para realizar os grandes projetos em que se envolveu. O retrato é completo. Do homem, do artista, do cidadão (do Brasil e do mundo).

O Sal da Terra foi feito com recursos da Europa e do Brasil. Não são só o personagem e o codiretor que são brasileiros. Em Gramado, no ano passado, Betse de Paula exibiu outro documentário sobre o fotógrafo. Foi cobrada por sua visão que muitos chamaram de chapa-branca, ou por não haver interpelado Sebastião, que estetiza/cosmetiza a miséria. É a acusação que sempre se faz a ele. Em nenhum momento se levanta a questão com Juliano e Wim Wenders.

O fotógrafo, diz Wenders, decompondo a etimologia grega da palavra, é alguém que escreve com a luz. Sebastião fotografou/fotografa o mundo como é, sonhando com o que pode ser. É um grande humanista e um homem fascinante. Faz observações precisas, transcendentes. Completam-se exatamente nesta quarta-feira, 21 de maio de 2014, 30 anos da Palma de Ouro de Paris, Texas. A volta de Wenders, como documentarista, à Croisette, se faz em alto estilo. Os Salgado, pai e filho, não poderiam estar em melhor companhia.

Tudo o que sabemos sobre:
Festival de Cannes

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.