No CineSesc, mostra para cinéfilo nenhum botar defeito

Já virou referência dos cinéfilospaulistanos, assim como a Mostra Internacional de Cinema, oFestival Internacional de Curtas e o Festival Internacional deDocumentários É Tudo Verdade. O Festival de Melhores que começanesta segunda-feira, 2, para convidados e na terça para o público, no CineSesc,exibe uma programação para espectador nenhum botar defeito. São os melhores filmes de 2006, escolhidos pela crítica e pelopúblico. Embora esses dois segmentos ou categorias raramenteestejam de acordo, desta vez houve uma rara comunhão deinteresses estéticos e Cachê, do austríaco Michael Haneke, foiescolhido como o melhor filme internacional do ano. Já no que serefere ao melhor diretor, não houve concordância. Os críticoselegeram o próprio Haneke e o público preferiu Pedro Almodóvar,por Volver, que foi o segundo melhor filme estrangeiro de 2006para a massa de espectadores da sala da Rua Augusta.No quesito cinema brasileiro, não houve acordo. Os críticosescolheram O Céu de Suely como melhor filme e Karin Aïnouzcomo melhor diretor. O público preferiu O Ano em Que Meus PaisSaíram de Férias como melhor filme e Cao Hamburger como melhordiretor. De novo houve acordo nas categorias melhor ator emelhor atriz brasileiros, segundo o público e a crítica.Venceram Hermila Guedes, por O Céu de Suely, e MatheusNachtergaele, por Tapete Vermelho.Ambos, só para lembrar, venceram os prêmios da AssociaçãoPaulista de Críticos de Arte, a APCA. No quesito cinemainternacional, público e crítica também estiveram de acordoquanto à melhor atriz - Penélope Cruz, por Volver. Não houveacerto para melhor ator. O público apostou tudo em Cachê eescolheu Daniel Auteuil também como melhor ator. A críticapreferiu Philip Seymour Hoffman, por Capote.Surpresa: A MáquinaDe maneira geral, não houve muita divergência e as listas de dezmais estrangeiros e cinco mais brasileiros são quase as mesmas,apenas com diferentes pontuações dos filmes. Volver, OLabirinto do Fauno, de Guillermo Del Toro, Os Infiltrados, deMartin Scorsese estão em ambas as listas, mas só o públicoapostou no melhor independente de 2006 - Pequena Miss Sunshine, de Jonathan Dayton e Valerie Faris. Os melhores brasileiros completam-se, somadas as duas listas,com Crime Delicado, de Beto Brant, Árido Movie, de LírioFerreira, e o documentário Estamira, de Marcos Prado. A novidade do público foi a inclusão de A Máquina de JoãoFalcão. Palmas para o público, que o filme merece - mesmo que osespectadores do CineSesc tenham estado na contracorrente dasgrandes platéias nacionais, que infligiram um amargo fracasso àadaptação do livro de Adriana Falcão. A Máquina fez em tornode 80 mil espectadores, muito menos do que o milhão em que osotimistas apostavam, contando-se o potencial do filme.O Céu de Suely ou O Ano, Karin Aïnouz ou Cao Hamburger, oano foi rico em diversidades e tendências estéticas no cinemabrasileiro. O cinema estrangeiro não brilhou menos e, além deCachê, Volver e O Labirinto do Fauno, destacaram-se ACriança, dos irmãos Dardenne, Match Point, de Woody Allen, eOs Amantes Constantes, de Philippe Garrel. Querô abre eventoAlgumas escolhas, de qualquer maneira, prestam-se à polêmica.Wong Kar-wai é um grande diretor, mas 2046 não é um grandefilme. Os Infiltrados também não é um grande filme, mas opúblico e a crítica cerraram fileiras com a Academia deHollywood. A oportunidade que o CineSesc oferece agora é derevisão de todos esses títulos.Quem não viu, pode se atualizar. Quem já viu e está em desacordo pode rever para tirar a teima. E há, como sempre, a pré-estréianacional para convidados, nesta segunda-feira. O eventocomeça terça-feira para o público. O escolhido foi Querô, deCarlos Cortez, que já havia sido multipremiado no Festival deBrasília e que também inaugurou a Mostra Internacional de Cinemade Santos, em janeiro, no conjunto de salas do Unibanco Arteplex de Adhemar Oliveira e Leon Cakoff.Querô baseia-se num original de Plínio Marcos, que já haviasido filmado por Reginaldo Faria nos anos 70. Querô é oprotagonista, um garoto, filho de prostituta, que abre caminho abala "nas quebradas da vida". É o titulo do livro. O filmeantigo chamava-se Barra Pesada. Querô havia sido selecionadono concurso de roteiros da Petrobrás. Cortez, certamenteinfluenciado pelas discussões de roteiros que os irmãos Caio eFabiano Gullane, seus produtores, gostam de fazer, introduziumuitas mudanças em relação ao roteiro aprovado. Elas não apenasnão melhoraram o filme, como o enfraqueceram. O final é discutível, para dizer-se o mínimo, mas, como osconvidados poderão confirmar logo mais, há uma urgência e umaveracidade que tornam Querô uma experiência forte, emborainferior ao que poderia ser. A prepararão de elenco, medianteoficinas de interpretação realizadas em Santos (e que persistem,após a filmagem), faz com que todos os jovens sejam ótimos, acomeçar por Clayton Marques, que faz Querô. Só para informar - oQuerô antigo, de Reginaldo Faria, era Stepan Nercessian. Marquesnão lhe fica atrás. Festival Sesc dos Melhores Filmes de 2006. Terça (3), 15 horas, Free Zone, de Amos Gitai; 17 horas, Caminhopara Guantánamo, de Michael Winterbottom; 19 horas, Boa Noite eBoa Sorte, de George Clooney; 21 horas, Paradise Now, de HanyAbu-Assad. CineSesc (326 lug.). Rua Augusta, 2.075, telefone 3082-0213.Diariamente, a partir das 15 horas. R$ 4. Até 19/4. Abertura nestasegunda (2), às 20h30, para convidados.

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