No Brasil, Viggo Mortensen fala sobre filme 'Um Homem Bom'

Longa do brasileiro Vicente Amorim com o ator americano será exibido no Festival do Rio nesta quinta-feira

Efe,

08 de outubro de 2008 | 11h49

O ator americano Viggo Mortensen é atraído pelo medo - sentimento tão natural e humano quanto os personagens que fez ao longo da carreira - e pelo desafio ao aceitar determinados papéis, como em Um Homem Bom, dirigido pelo brasileiro Vicente Amorim, no qual interpreta um nazista. O longa-metragem será apresentado na quinta-feira, 9, no Festival de Cinema do Rio de Janeiro e, em breve, entrará em circuito comercial. Mortensen contou na terça, em entrevista à Agência Efe, o desafio de interpretar John Halder, um professor universitário de literatura na Alemanha dos anos 30. No filme, o intérprete de Aragorn em O Senhor dos Anéis demonstra sua versatilidade e sua fascinação pelas histórias que tratam da complexidade humana. Halder é "um homem normal, um homem bom, que no fim, por todas as escolhas que faz, transforma-se em um nazista, com uniforme e tudo", explicou ele sobre o personagem que se afasta da família e sucumbe aos luxos e à ostentação oferecidos pelo regime nazistas. No entanto, como ele mesmo disse, não se trata de um filme sobre os alemães desta época e todos os preconceitos que há sobre eles, "mas de gente que toma decisões e se equivoca a cada dia", em uma demonstração de que as pequenas escolhas "são as que podem mudar a vida". A história é uma adaptação da peça de C.P.Taylor, que Mortensen viu pela primeira vez em 1981 em Londres, aonde tinha ido fazer um teste no início da carreira. Desde o primeiro contato com a obra, Mortensen deu conta de que a história era diferente e atemporal, e citou como exemplo a situação nos Estados Unidos e no Reino Unido nos anos 80 com Ronald Reagan e Margaret Thatcher, respectivamente, assim como a invasão das Ilhas Malvinas. Ele insistiu que, mesmo com o passar dos anos, nos dias de hoje, o mundo ainda tem grandes problemas, como a crise financeira que afeta todo o planeta. Desta maneira, disse Mortensen, demonstra-se "que as coisas mudam, mas no fundo não tanto". Para ele, a história poderia ser diferente "se as pessoas prestassem atenção em suas decisões". O professor Halder reflete a busca constante do ator por papéis que lhe ensinem coisas e que, ao mesmo tempo, lhe dêem medo de interpretá-los pelo desafio que representam, e por "não saber como vai sair a coisa, como é na vida". Em Halder, "há certa inocência no início, mas chega um ponto no qual ele pode dizer que isto não está bem e não o faz, talvez por orgulho ou por ego, como fazemos às vezes", afirmou. A maneira "íntima e pessoal" de contar a história deve-se à direção de Amorim, que Mortensen conheceu há três anos quando, em uma tarde de conversa num bar brasileiro de Los Angeles. A escolha de Amorim como diretor por parte da produtora, como o próprio cineasta também explicou à Agência Efe, foi feita porque "buscavam alguém que não fosse europeu e que tivesse um enfoque pouco comum sobre a época, longe de idéias pré-concebidas". Perguntado sobre se o filme tem conotações políticas, Amorim respondeu que "todos os filmes têm um cenário político, até os que se dizem apolíticos". Ele lembrou também a definição de Jason Isaacs (produtor executivo do filme e intérprete do judeu Maurice, o melhor amigo de Halder), para quem "Um homem bom" é um "thriller ético", pois se trata de uma reflexão íntima sobre escolhas políticas e pessoais.

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