'Ninho Vazio' explora crise de casal depois dos 50 anos

Na visão do diretor Daniel Burman, a família é um espaço de crise, conflitos e com afetos negociados

REUTERS

29 de janeiro de 2009 | 15h03

Em seu sexto filme, Ninho Vazio, o diretor e roteirista argentino Daniel Burman exerce, mais uma vez, seu olhar crítico sobre a família, a partir de um foco masculino. O filme entra em cartaz em oito capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Salvador, Vitória, Goiânia e Curitiba.   Oscar Martinez e Cecilia Roth formam casal em conflito após a saída dos filhos de casa. Foto: DivulgaçãoVeja também: Trailer de 'Ninho Vazio' Na Argentina, o filme foi visto por 300 mil espectadores, além de ter conquistado os prêmios de melhor ator (Oscar Martinez) e fotografia no Festival de San Sebastian 2008. Se em filmes anteriores como Abraço Partido (2004) e Direito de Família (2006) Burman examinou diversos aspectos da paternidade, em Ninho Vazio ele explora a crise do casamento de cinquentões - faixa bem acima de sua própria idade real, 35 anos. Na visão de Burman, a família é um espaço de crise e conflitos, onde o afeto só é obtido a partir do esforço e negociação. E o casal formado pelo dramaturgo Leonardo (Oscar Martinez) e Martha (Cecilia Roth, de Tudo sobre Minha Mãe) vive um momento de desequilíbrio. Os três filhos, já adultos, partiram para assumir suas próprias vidas. O vazio deixado não é apenas o do quarto deles, é também o da própria relação, que precisa ser revista. Liberada do papel de mãe, que a levou, anos atrás, a abandonar a faculdade, Martha sai na dianteira. Retoma os estudos, encara novas amizades e hábitos, rejuvenesce até fisicamente. Mostra-se pronta para iniciar novos tempos e sacudir a monotonia, vivendo uma nova liberdade. Leonardo parece bem mais travado. Ressente-se do peso da idade, da perda do papel de provedor. Resiste ao entusiasmo e, especialmente, aos novos amigos da mulher. Há um estranhamento e não só em relação a Martha. Leonardo vive um bloqueio criativo. E tem fantasias com outras mulheres, como a bela dentista Violeta (Eugenia Capizzano). Sem ser tão bom quanto Abraço Partido e Direito de Família, Ninho Vazio tem a grande qualidade de radiografar a classe média com alguma profundidade, algo que o cinema argentino recente tem se mostrado mais competente em realizar do que o brasileiro, por alguma misteriosa razão. (Neusa Barbosa, do Cineweb) * As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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