Glen Wilson/Amazon Studios
Glen Wilson/Amazon Studios

Nicole Kidman e Javier Bardem falam ao 'Estadão' sobre 'Being the Ricardos'

Filme estrelado conta como foi uma semana na vida do casal de ‘I love Lucy’, um dos maiores sitcoms de todos os tempos

Mariane Morisawa, Especial para o Estadão

21 de dezembro de 2021 | 15h39

Para o público de hoje, Lucille Ball pode não ser um nome muito conhecido. Quando muito, o espectador mais jovem sabe que I Love Lucy foi uma das sitcoms homenageadas em WandaVision, série da Marvel exibida no Disney+

I Love Lucy, que foi ao ar entre 1951 e 1957, é uma das maiores sitcoms de todos os tempos. Vencedora de cinco Emmys, foi número 1 nos Estados Unidos em quatro de suas seis temporadas, com episódios chegando a 71,7 pontos de audiência. Foi a primeira sitcom multicâmera gravada com plateia e que inspirou até a brasileira Alô, Doçura!.

No entanto, nem Nicole Kidman, americana criada na Austrália, nem Javier Bardem, espanhol, tinham a real dimensão do que seria interpretar Lucille Ball e seu marido, Desi Arnaz, em Being the Ricardos, filme escrito e dirigido por Aaron Sorkin que estreou na terça, 21, no Amazon Prime Video, de olho no Oscar. “Eu achei que simplesmente estava dizendo sim a um longa do Aaron Sorkin”, disse Kidman em entrevista coletiva por videoconferência que contou com a participação do Estadão. Ela leu o roteiro e achou magnífico. Somente uma semana mais tarde se deu conta. “O que eu fiz? Como vou criar Lucille Ball?”, perguntou-se a atriz. 

Desafio

Nicole Kidman, que costuma trabalhar de dentro para fora, viu-se assistindo aos episódios de I Love Lucy, estudando a voz de Lucille Ball. Mas Sorkin foi muito claro: não queria uma imitação. “Ele me disse: ‘Não quero que se desespere, porque acredito que você tem capacidade de fazer’. Eu o desafiava constantemente, mas ele não cedia naquilo em que acreditava”, disse Kidman. Em dado momento, ela cismou que tinha de mudar sua mandíbula com maquiagem protética para ficar mais parecida com Lucille Ball. “E Aaron me disse: ‘Eu não me importo com nada disso’.”

Elenco

Por isso, Sorkin não se abalou quando a escolha dos atores começou a ser criticada. Até porque, como ele disse à revista The Hollywood Reporter, existem apenas três minutos de I Love Lucy e de Lucy e Ricky Ricardo no filme. O resto do tempo é ocupado por Lucille Ball e Desi Arnaz, pouco conhecidos do público. “Lucille Ball não se parece com Lucy Ricardo. Toda vez que vemos Lucille Ball no filme, queria que ela fosse diferente do que era permitido na televisão no começo dos anos 1950. Queria deixar que ela fosse uma mulher. Que fosse sexy. Na época, não era permitido ser sexy na televisão”, disse Sorkin à THR. 

A abordagem foi parecida na hora de estruturar a história. Being the Ricardos não é uma biografia clássica, do início ao fim da vida. Muito pelo contrário, a história se passa em uma semana. Em seu roteiro, Sorkin não temeu juntar três eventos que na verdade ocorreram ao longo de anos: a acusação de que Lucille Ball seria comunista, a capa de uma revista apontando uma suposta infidelidade de Arnaz e uma briga com o canal de televisão e o principal patrocinador para deixar Lucy aparecer grávida, já que Lucille estava esperando um bebê. “O filme mostra justamente os bastidores de I Love Lucy e quem era essa pessoa capaz dessa genialidade toda na frente das câmeras”, disse Kidman.

Foi a informação de que a comediante tinha sido acusada de ser comunista, tendo inclusive de testemunhar no Comitê de Atividades Antiamericanas no Congresso, que despertou a atenção do roteirista. 

Ao mergulhar nesse universo, Sorkin descobriu muito mais. Lucille Ball ficou famosa como comediante. Mas, na realidade, não tinha nada de atrapalhada. Depois de ver os anos passarem sem que se tornasse a estrela de cinema que desejava ser, ela estava fazendo um programa no rádio, My Favorite Husband (“Meu Marido Favorito”, em tradução livre). O sucesso fez com que fosse chamada para fazer uma versão para a televisão. 

Ball brigou para trabalhar com o marido - Arnaz era americano de origem cubana, e a emissora achava que isso poderia causar problemas. “Ele tem a energia de alguém que precisa ser incluído e fazer todos entenderem que não é porque ele é um estrangeiro que precisa ser colocado em um escaninho”, disse Bardem à THR. Bem diferente da experiência do ator espanhol. “Ser Desi Arnaz nos Estados Unidos dos anos 1950 era muito diferente. Era como ser um alienígena”, disse Bardem.

Mas Ball e Arnaz tinham muito mais poder do que a maioria dos astros e estrelas de então - e de hoje. Eles foram donos da Desilu, uma produtora independente que se tornou a maior em sua época, desenvolvendo séries como Missão: Impossível e Star Trek.

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