Nicolas Cage está de volta em 'A Lenda do Tesouro Perdido'

Em 'Livro dos Segredos', Ben Gates descobre que seu tataravô esteve envolvido na morte de Abraham Lincoln

Luiz Carlos Merten, de O Estado de S. Paulo,

08 Janeiro 2023 | 19h09

Embora tenham sido muitas as ofertas tentadoras, Nicolas Cage sempre se havia recusado a fazer a seqüência de seus filmes de maior sucesso. O motivo é simples - "Odeio me repetir. Uma das coisas atraentes desta profissão é a possibilidade de estar sempre tentando coisas novas, entrando na pele de personagens bem diversos da gente." Era o que ele pensava, pois Cage cedeu à tentação do produtor Jerry Bruckheimer e do diretor Jon Turteltaub e estrela agora A Lenda do Tesouro Perdido - Livro dos Segredos, que estréia sexta-feira, 25, em salas de todo o Brasil.   Veja também: Trailer de 'A Lenda do Tesouro Perdido - Livros do Segredos'    Para o bilionário produtor de êxitos como a série Piratas do Caribe, era natural dar seqüência a essa outra franquia. Afinal, o primeiro Tesouro Perdido faturou US$ 350 milhões e Hollywood não resiste ao tilintar das caixas registradoras. No salão de um hotel de luxo de Los Angeles, Nicolas Cage diz que não foi o dinheiro, ou só o dinheiro, que o atraiu para essa aventura. "Sou louco por História. A série Indiana Jones me fascina tanto quanto ler livros de história passada e recente. O Livro dos Segredos trata da construção da identidade norte-americana no século 19. O assassinato do presidente Abraham Lincoln foi uma tragédia nacional. Simplesmente ele era o político (e o presidente) que estava tentando unir a América, destroçada pela guerra."   E não apenas isso - "Estamos hoje no meio de outra guerra que divide os EUA. Aliás, a história deste país é uma sucessão de guerras que dividem a população. Me pareceu interessante tratar do assunto, mesmo em chave ficcional." Mas ele admite que condicionou a aceitação a uma conversa franca que teve com o produtor e o diretor. "Disse a Jerry e a Jon que se passaram três anos desde o primeiro filme e eu não sou mais aquele cara do primeiro Tesouro Perdido. O personagem também teria de mudar. Jon topou imediatamente, porque disse que o segredo, quando se oferece o mesmo, é fazê-lo de forma diferente." Não houve clima para insistir no assunto, mas Nicolas Cage de alguma forma, ao citar Jon Turteltaub, está repetindo a frase (e o raciocínio) do arrivista Tancredi, interpretado por Alain Delon na obra-prima O Leopardo, de Luchino Visconti - "As coisas precisam mudar para ficar na mesma."   Retire-se logo de Nicolas Cage a aura de arrivista. "Dei algumas sugestões para a construção do personagem que agradaram a Jon e a Jerry. Mas o mais excitante de tudo veio do próprio Jon." Na trama de A Lenda do Tesouro Perdido - Livro dos Segredos, Benjamin Gates, o personagem de Nicolas Cage, descobre que seu tataravô esteve envolvido no assassinato de Lincoln. Pelo menos, é o que anuncia, numa entrevista bombástica, o vilão interpretado por Ed Harris. Para limpar o nome da família, Ben inicia uma busca por informações. Toda a verdade do episódio está contido no tal ‘Livro dos Segredos, uma raridade guardada a sete chaves pelo governo dos EUA e que, como diz o nome, esconde tudo aquilo que não é interessante, politicamente, que venha a público. Ben precisa chegar ao livro. Só quem tem acesso a ele é o presidente dos EUA. A solução de Jon Turteltaub é fazer com que o herói realize o sonho dos terroristas de todo o mundo - Ben seqüestra o presidente! "É divertido justamente porque é absurdo", diz Nicolas Cage. "Depois do 11 de Setembro, a segurança do presidente dos EUA, se já era uma questão de segurança nacional, virou uma questão redobrada de paranóia."   Seqüestrar o presidente é uma das ações arrojadas do herói do Livro dos Segredos, mas Ben também invade o Salão Oval e o Palácio de Buckingham - e a presença de Helen Mirren, que fez A Rainha, de Stephen Frears, não é mera coincidência - e ainda volta a um cenário mítico da ação, o Monte Rushmore, onde estão esculpidos na pedra os rostos dos presidentes dos EUA. Cinéfilo que se preze sabe que Alfred Hitchcock ambientou ali - mas o Monte Rushmore do mestre do suspense foi inteiramente reconstituído em estúdio - o eletrizante desfecho do clássico Intriga Internacional, no fim dos anos 50. Nicolas Cage sabe que o Livro dos Segredos não é um novo Intriga Internacional, mas acha que não há nada de errado em divertir o público propondo coisas inusitadas e, até - por que não? -, subversivas. O elenco ajudou bastante. Foi legal reencontrar Diane Kruger, Justin Bartha e Jon Voight, que fazem a mulher, agora ex-mulher de Ben, seu parceiro especialista em informática e o pai. Os acréscimos foram muito bem-vindos.   "Quando soube que Jerry (o produtor Bruckheimer) havia conseguido Helen Mirren, fresquinha de seu Oscar, e Ed Harris, convenci-me de que estávamos no bom caminho. Mas - claro - quem vai dizer se acertamos a mão é o público." Embora tenha uma trama repleta de referências históricas, O Livro dos Segredos baseia-se na ação física. "Como ator, não vejo muita diferença entre exercitar os músculos e o intelecto. Em ambos os casos, é preciso disciplina, concentração - e a preparação física, para correr e lutar, muitas vezes é mais desgastante", avalia Cage. Não se pode esquecer que O Livro dos Segredos é uma produção da Disney. O ator possui uma idéia bastante clara que talvez agradasse ao velho Walt. "Crianças, para mim, são muito importantes. Elas representam o futuro, não? Acho que é uma questão de responsabilidade. O poder do cinema é muito forte, muito intenso. As crianças vão ver os filmes com os pais e, à medida que crescem, sozinhas. Por que não lhes oferecer um pouco de informação e cultura? Por que não estimulá-las, dizendo que a História não é uma coisa chata, morta, num livro escolar, mas alguma coisa que, além de prazerosa, pode alargar os horizontes não só delas, mas de todos nós?"   Não se pode conversar com Nicolas Cage sem falar de seu tio, Francis Ford Coppola. Há 20 e tantos anos, desde Peggy Sue - Seu Passado a Espera, eles não trabalham juntos. Cage ainda não havia visto o filme mais recente de Coppola, com o qual o grande diretor rompeu o silêncio de quase uma década - Youth Without Youth -, mas admite que adoraria voltar a trabalhar com ele. "Meu tio é parte da história do cinema. É impossível estar neste negócio, que também pode ser uma arte, sem saber quanto devemos a ele." Cage não tem vontade de mudar? "Estou fazendo um filme que não é de ação, se é a isso que você se refere", ele conta. É um documentário sobre a banda The Police. Cage é produtor. Norm Golightly, seu sócio na empresa Saturn, é o diretor. Por que a banda? "Morava com meu tio em Napa Valley quando ouvi o Police pela primeira vez. Fiquei impressionado com a voz de Sting, a forma como ele cantava, como dizia as palavras. Achei até que era chicano. Mais tarde, com meu tio, fiz O Selvagem da Motocicleta, que tinha música de Stewart Copeland, baterista do Police. Acho que é a melhor trilha já composta, com exceção das de Nino Rota, claro. O Police faz parte da minha vida e, falando deles, quero falar da minha geração."   O repórter viajou a convite da distribuidora Buena Vista   A Lenda do Tesouro Perdido - Livro dos Segredos (National Treasure: Book of Secrets, EUA/2007, 124 min.) - Ação. Dir. Jon Turteltaub. 10 anos

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