Nicholson e Diane Keaton dão show de grosseria

Diane Keaton e Jack Nicholson estão em Berlim para acompanhar a exibição fora de concurso de Alguem Tem Que Ceder no festival de cinema. O filme de Nancy Meyers, que foi apresentado oficialmente na noite desta sexta-feira e tem data de estréia marcada para março no Brasil, é uma comédia romântica sobre a redescoberta do amor na maturidade. Desde a terça-feira, ambos estão cumprindo uma pesada agenda de entrevistas para promover a produção. Essa programação terminou hoje, com a realizacao de uma concorrida entrevista coletiva no hotel Hyatt. E o resultado foi um espetáculo decepcionante, que culminou com perguntas sem sentido de um lado e respostas desnecesariamente grosseiras do outro.Além dos dois atores, que formam o par romântico do filme, estavam presentes a atriz Amanda Peet e os alemães Michael Balhaus, que assinou a fotografia, e Hans Zimmer, que assinou a trilha sonora original. Nicholson compareceu com seu figurino de sempre - paletó de couro, gravata e os indefectiveis óculos escuros. Diane Keaton, que recebeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz por seu papel, estava elegante, com um conjunto vermelho, incluindo as luvas. Ela também levava óculos escuros, mas com lentes coloridas, muito mais discretos que seu colega. Nancy Meyers nao pôde comparecer ao festival.A primeira pergunta foi provocativa. Um jornalista alemão disposto a fazer humor perguntou a Nicholson e Diane como se sentiam envelhecendo e fazendo filmes sobre o tema. A atriz foi a primeira a responder: "Para mim é bastante natural e não vejo nada de estranho; sinto-me feliz de estar viva". Em seguida, foi a vez do ator: "Estou me sentindo muito bem; tirei uma soneca, tomei alguns copos de vinho... Nada mal".Logo em seguida, outro jornalista tentou inserir um pouco de política para ver até onde os atores iam. Ele perguntou a Jack Nicholson o que achava das relações entre a Alemanha e os Estados Unidos. A resposta: "Estão mais ou menos, essa coisa de sempre. Nao interferimos nas suas eleições, vocês nao interferem nas nossas. Pela enorme quantidade de reportagens que saem nos jornais, ficamos sabendo a posição do presidente Schroeder sobre as coisas. E vemos que Chirac tenta fazer uma triangulação impossível. É isso".Mais adiante, Diane foi questionada sobre como foi fazer uma rápida cena em que aparece nua diante de Nicholson, na qual se estabelece uma relação de intimidade entre os dois personagens do filme. Ela foi seca. "Li o roteiro, sabia que havia um nu, a cena era necessária e engraçada. Foi às minhas custas e encarei o desafio. Só isso".Pouco antes, Nicholson havia sido interpelado por algo parecido. Há uma cena hilariante em que ele revela as nádegas e o jornalista em questão quis saber se o ator não havia usado um dublê de corpo. "Tenho muito orgulho de minha bunda", disse ele, arrancando risos da plateia. "Até sugeri que colocassem uma fotografia dela no cartaz, mas fui informado de que era contra a lei. Sério, acho que tenho um belo rabo." Esse pingue-pongue entre os jornalistas e a dupla de atores cessava ocasionalmente para uma ou outra intervenção dirigida a Amanda Peet ou aos dois alemães. Até que, meia hora depois, respondendo a pergunta de uma jornalista canadense sobre como foi o clima das filmagens, a atriz teve o derradeiro ataque de grosseria. Interrompeu a resposta no meio e disse: "Eu não estou mais agüentando. Estamos aqui há horas, vocês são duzentos, nós somos apenas cinco. E fazem perguntas estranhas, sem sentido... Eu quero ir embora daqui. I?m f***ing tired."

Agencia Estado,

06 de fevereiro de 2004 | 18h50

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