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Neto de Chatô quer vetar sessões do filme

Familiar alega que longa deturpa imagem do avô em duas cenas

Marina Gama Cubas, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2015 | 21h07

Um dos netos de Assis Chateaubriand, Philippe Bandeira de Mello, tentou, nesta quinta-feira, 19, barrar a exibição do filme Chatô, o Rei do Brasil, com estreia prevista no mesmo dia, conforme adiantou a coluna Direto da Fonte, de Sonia Racy. Mello disse que enviou notificação extrajudicial a quatro empresas de cinema pedindo a interrupção da exibição em suas salas.

De acordo com o advogado da família, Fredímio Biasotto Trotta, o documento tem o intuito de informar as empresas que elas poderão ser responsabilizadas por veicular cenas que, segundo Mello, são caluniosas – ainda que elas não sejam autoras da obra.

No documento que teria sido enviado às salas de cinema, ao menos duas cenas são denunciadas como caluniosas. Uma delas, segundo Mello, faria alusão de que Chatô teria matado o presidente Getúlio Vargas. A outra estaria relacionada a um aliciamento de uma menor de idade.

“Minha família tem sofrido discriminação. Ele foi um homem que trabalhava pelo Brasil. Eles estão atribuindo crimes a uma pessoa morta que não pode se defender. Ganhando dinheiro para deturpar a imagem do meu avô”, disse Mello.

A medida causou manifestação tanto do diretor do filme, Guilherme Fontes, como do autor da biografia de Chateaubriand, Fernando Morais. Nas redes sociais, Morais, também roteirista do filme, classificou a medida como um ato de censura. “Os herdeiros de Chatô talvez não saibam, mas a ditadura acabou há 30 anos. E, com ela, felizmente, a censura”, publicou o escritor no seu Facebook.

Morais disse ao Estado que talvez tenha ocorrido confusão, uma vez que não há nenhuma referência no longa sobre as questões alegadas. “No filme, a única passagem em que o Chatô encomenda um atentado não é para matar. Ele manda um sujeito atirar nas genitais de um industrial.” Segundo Morais, a história da castração está em sua biografia, com provas e reprodução de notícias sobre o caso na época.

“Em relação à acusação de ele seduzir e estuprar uma menor, não aconteceu nenhum dos dois. Teve casamento. Quando tinha 42 anos, ele se casou com uma menina de 16… Teve filhos e tudo”, afirmou.

Já Fontes disse que o filme é uma obra ficcional e está carregada de sua visão particular sobre a vida de Chatô. “Tenho muito medo do Brasil que se diz o ‘Brasil legal’. No primeiro momento, a Justiça é muito cega, demora para enxergar”, declarou.

Em junho, o Supremo Tribunal de Justiça concluiu que obras biográficas não têm necessidade de autorização prévia dos herdeiros. Caso após a veiculação sejam constatadas calúnia e difamação, os herdeiros ou o próprio implicado poderão entrar com medidas judiciais cabíveis a serem analisadas por magistrados.

Para a defesa da família, a medida não configura censura. “Justamente porque não ingressamos com ação prévia de interdição do filme. Fizemos uma notificação extrajudicial após ter acesso ao trailer e notícias sobre o filme veiculadas na mídia. Ficou configurado que há cenas caluniosas.” Segundo o advogado, uma reunião com os familiares será feita para avaliar quais medidas judiciais serão tomadas. Procurados, Cinemark e o Espaço Itaú informaram que não foram notificados.

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