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Netflix mira no modelo de negócio de Hollywood

O serviço de streaming anunciou que vai participar simultaneamente do lançamento de um filme nos cinemas no ano que vem

Jake Coyle, AP

01 de outubro de 2014 | 11h17

NOVA YORK - O estabelecido controle do sistema de lançamento de filmes de Hollywood está oficialmente sitiado.

O chamado "Windowing", a prática de lançar um filme primeiro nos cinemas e depois em outras plataformas, como DVDs, streaming e na TV, está sofrendo uma pressão crescente. Agora, o Netflix (serviço de streaming) ressoou o mais notável golpe contra o sistema, anunciando planos de lançar a sequência de O Tigre e o Dragão no mesmo dia que o filme estrear nos cinemas Imax no ano que vem.

O filme, produzido pela Weinstein Co., não é uma produção de estúdio, então é pouco mais significativo do que a pletora de filmes independentes regularmente lançados sob demanda. Mas o anúncio constitui a maior movimentação até hoje de um grande serviço digital em relação ao padrão de lançamentos de Hollywood.

"Essa é uma oportunidade muito única de alguém de fora chacoalhar o que aparenta ser uma cada vez mais antiquada estratégia", diz Rich Greenfield, analista de mídia da BTIG Research. "Eles tiveram que entrar no negócio do cinema para reduzir o ‘windowing’, e eu acho que é um primeiro passo importante para o Netflix.”

Exibidores, em conjunto com os grandes estúdios, há tempos têm procurado proteger o modelo. Na terça-feira, duas das maiores cadeias de cinema dos Estados Unidos, Regal Cinemas e Cinemark, prontamente se recusaram a exibir o filme.

“Nós não participaremos de um experimento em que você pode ver o mesmo produto em telas que variam de três andares de altura a três polegadas em um smartphone”, disse o porta-voz da Regal, Russ Nunley. “Nós acreditamos que a escolha para realmente aproveitar um bom filme é fácil.”

A mesma rede também declinou exibir Veronica Mars, no início deste ano, lançado em um modelo parecido, também possível sob demanda.

A sequência de O Tigre e o Dragão (Crouching Tiger, Hidden Dragon: The Green Legend) não é uma aposta certa, apesar da sensação de seu precursor de 2000. O filme ganhou quatro Oscars, incluindo melhor filme estrangeiro, e arrecadou US$ 214 milhões no mundo todo. O apelo internacional do longa com certeza motivou a sempre expansiva Netflix, que recentemente entrou na Europa.

Mas sequências lançados tanto tempo depois do original frequentemente lutam para manter o interesse da audiência. E, talvez mais importante, The Green Legend não será dirigido pelo aclamado diretor de O Tigre e o Dragão, Ang Lee. Ao invés disso, terá direção de Yuen Wo-Ping, o coreógrafo de artes marciais de Matrix e Kill Bill. O filme está sendo gravado na Nova Zelândia.

O vice-presidente da Weinstein Co., Harvey Weinstein, disse num comunicado que “o experimento com a indústria do cinema está evoluindo rápida e profundamente, e o Netflix está inquestionavelmente na linha de frente do movimento”.

O Netflix já se envolveu no lançamento de filmes previamente, incluindo a distribuição do documentário de 2013 sobre a revolução egípcia, The Square, indicado ao Oscar. E sua entrada mais celebrada na TV, House of Cards, teve um amplo efeito no negócio, alertando a indústria para um novo espaço para grandes talentos, como Kevin Spacey e David Fincher.

A investida do Netflix no negócio do cinema vem numa fase potencialmente frágil para a indústria, depois de um verão com quedas de 15% na arrecadação de bilheteria em relação ao ano passado. Mas um dos sucessos mais comentado da temporada foi um pequeno filme de ficção científico, Snowpiercer, lançado pela Weinstein Co. Ele arrecadou aproximadamente US$ 11 milhões nos serviços sob demanda, mais do que o dobro do que o seu lançamento nos cinemas.

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