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Netflix, Coppola e Michael Haneke estão na disputa pela Palma de Ouro em Cannes

Festival com júri presidido por Pedro Almodóvar ocorre de 17 a 28 de maio e não tem nenhum brasileiro na competição

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2017 | 10h43

Arnaud Desplechin, diretor de grandes filmes como Reis e Rainha e Um Conto de Natal, faz a abertura do 70. Festival de Cannes, em 17 de maio - fora de concurso -, com Os Fantasmas de Ismael. Um cineasta, às vésperas de iniciar novo filme, reencontra um amor do passado. Mathieu Amalric, Louis Garrel, Marion Cotillard, Charlotte Gainsbourg compõem um elenco de sonho. O filme promete. Um punhado de habitués na Croisette retorna à competição.

Michael Haneke, na disputa por sua terceira Palma de Ouro - recebeu as anteriores pelos dois últimos filmes, O Balão Branco e Amor -, encara a má consciência europeia diante da crise dos refugiados, e muito bem acompanhado por Isabelle Huppert e Jean-Louis Trintignant. Só não dá para crer no título - Happy end. Final feliz com Haneke? Será a novidade do ano.

Dá para sonhar acordado com The Beguiled, o novo filme de Sofia Coppola. A história é a mesma de O Estranho Que Nós Amamos, grande filme de Don Siegel, de 1971, com Clint Eastwood. Durante a Guerra Civil dos EUA, um soldado ferido abriga-se num internato de garotas e aí conhece um horror maior que a guerra - o descontrolado desejo de mulheres reprimidas. Colin Farrell substitui Clint, o que não entusiasma muito, mas Kirsten Dunst (sempre, chez Sofia), Elle Fanning e Nicole Kidman são o supra-sumo do red carpet de Cannes.

Outro filme que atrai muito é Redoubtable, de Michael Hazanavicius, que narra o romance de Jean-Luc Godard (sim!) e Anne Wyazemski, tal como foi proposto por ela em livro. Hazanavicius, diretor de O Artista, salta do cinema silencioso para as barricadas de maio. E com quem? Louis Garrel, de novo no tapete vermelho, após a abertura com o Desplechin. Vale lembrar que Maio de 68 é uma das obsessões do pai de Louis, Philippe Garrel, que já reconstituiu o ano que não termina nunca em Os Amantes Constantes, com seu filho.

Todd Haynes é sempre um acontecimento em Cannes e, desta vez, ele volta com Wonderstruck, baseado num livro infantil, sobre duas crianças que vivem em diferentes épocas, 1927 e 77, mas cujas vidas de alguma forma vão se tocar.

O grego Yorgos Lonthimos já foi premiado em Cannes com The Lobster, e o filme foi indicado para o Oscar de roteiro. Ele volta a Cannes com outro filme cheio de atrativos, desde o título (The Killing of a Royal Deer) até o fato de se basear em Eurípedes e, sim, esse tapete vermelho está ficando repetitivo, adivinhe com quem? Colin Farrell e Nicole Kidman! 

Vai ter Netflix na corrida pela Palma. Em Okja, o sul-coreano Bong Joon-ho mostra garota que tenta salvar seu melhor amigo de uma multinacional. O detalhe - o tal amigo é um animal gigantesco e, para o mundo, assustador.

Também do Oriente vem o novo filme de Naomi Kawase, Radiance. Uma fotógrafa liga-se a um homem que está perdendo a visão e aprende a ver o que era invisível para seus olhos. A japonesa Naomi é uma das autoras que, no cinema atual, melhor filmam o mistério, seja do mar, de uma floresta ou doença. Tudo nela é muito denso, profundo, e belo.

Mistério também deve haver em A Gentle Creature, que Sergei Loznitsa adaptou de Dostoievski - a obsessão, culminando em tragédia, de um velho por sua jovem esposa.

Dois filmes franceses prometem - o Rodin de Jacques Doillon e L'Amant Double, de François Ozon. Vincent Lindon faz o escultor que, aos 40 anos, conhece o furacão Camille Claudel. Doillon e o desejo, a folie d'amour. Podem ser os temas do amante duplo de Ozon. Uma garota depressiva se envolve com seu psiquatra que, aos poucos, revela sua verdadeira natureza, seja lá o que isso significa. Perigo?

São alguns dos filmes da seleção de Cannes para 2017, que terá Pedro Almodóvar na presidência do júri. O festival ocorre de 17 a 28 de maio. E, ao contrário de Berlim, em fevereiro, não tem nenhum brasileiro na competição!

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