Nas telas, o drama da imigração para os EUA

Em Maria Cheia de Graça, Catalina Sandino Moreno vive uma operária colombiana rebelde e decidida que, depois de perder o emprego, opta por trabalhar como mula para um traficante de Bogotá. Catalina saiu do Festival de Berlim do ano passado com metade do Urso de Prata de melhor interpretação feminina - a outra metade ficou com Charlize Theron, por seu trabalho no discutível Monster. No início deste ano, foi surpreendida novamente, desta vez com uma indicação para o Oscar de melhor atriz - desta vez, perdido para Hilary Swank, pelo ótimo trabalho da atriz americana como a boxeadora de Menina de Ouro. "Para mim, foram duas grandes vitórias", disse ela, em entrevista por telefone desde Nova York, para onde se mudou logo após o sucesso no Festival de Berlim. "Nunca imaginei que venceria o Urso de Ouro num festival como o de Berlim. Quanto ao Oscar, jamais imaginei que seria indicada, quanto mais ganhar o prêmio. Tanto um como o outro foram maravilhosos e mudaram completamente a minha vida." É ela quem sustenta quase todo o filme, apesar do desfecho discutível, que aponta para a América como único Eldorado possível para os pobres latino-americanos. Entre Berlim e o Oscar, Catalina dedicou-se a divulgar Maria Cheia de Graça, o seu trabalho e conhecer o mundo através dos festivais. "Era uma oportunidade que eu não podia perder", contou ela. "Além de trabalhar, eu estava crescendo e isso era o que importava." Por enquanto, não pensa em voltar para o seu país e tem a resposta pronta para a pergunta inevitável. Por quê? "Tenho mais opções de fazer as coisas que quero aqui, como teatro e cinema", disse. "Tive uma oportunidade e não pretendo desperdiçá-la. Sinto saudades da minha família, mas sei que estão todos bem e certamente terei chances de ir visitá-los sempre que puder." Atualmente, Catalina diz estar escolhendo o que vai fazer em seguida. Está lendo vários roteiros, mas ainda não se decidiu por nenhum deles. Também tem planos de participar de uma montagem no teatro, mas tampouco quis falar sobre esses planos. Ao ser questionada sobre se aceitaria um convite para fazer um filme brasileiro, ela foi rápida na resposta e na escolha dos nomes. "Recentemente, conheci Walter Salles, de quem vi - e gostei muito - Central do Brasil e Diários de Motocicleta", disse ela. "Certamente, gostaria muito de trabalhar com diretores como ele ou qualquer outro que tenha uma boa proposta. Eu adoraria."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.