Nas telas, a vida e a obra de Aleijadinho

Nesta terça-feira terá sessão de lançamento em Belo Horizonte, no Cine Humberto Mauro, o filme O Aleijadinho, do cineasta mineiro Geraldo Santos Pereira. O filme retrata a intensa vida do artista e recupera os mestres de maior influência para sua formação, como o pai, o arquiteto português Manoel Francisco Lisboa, os artesãos João Gomes Batista, Francisco Xavier de Brito e Manoel da Costa Ataíde, e o poeta e inconfidente Cláudio Manoel da Costa, em cuja biblioteca Aleijadinho conheceu e estudou a obra dos mestres do barroco europeu.O filme passa também por trechos de sua vida pessoal, retratando seu envolvimento amoroso com a mestiça Helena, com quem teve um filho que recebeu o nome do avô, Manoel Francisco. Segundo Geraldo Pereira, é este lado humano do artista que o filme tentou valorizar. Um primeiro roteiro para o filme foi feito por seu irmão, já falecido, Renato Santos Pereira. Geraldo fez adaptações, uma vez que, conforme Geraldo, a versão de Renato realçava os aspectos históricos de uma maneira muito didática.A idéia - A história do filme é antiga. Geraldo conta que a idéia surgiu em 1954, quando ele e o irmão Renato, então assistentes de direção da Vera Cruz, fizeram uma viagem a Ouro Preto. Franco Zampari, que na época presidia a companhia, quis encampar a idéia, e um pré-roteiro chegou a ser feito. Mas devido aos problemas enfrentados pela Vera Cruz não foi possível dar prosseguimento ao projeto.Depois disso, Geraldo e Renato trabalharam como cineastas em algumas produções, com destaque para O Seminarista , de 1977. Em 1995, a idéia voltou à tona. Por meio da Lei do Audiovisual, foram captados até 1998 R$ 2,4 milhões. Naquele ano, Renato morreu, mas Geraldo não desistiu. As filmagens foram feitas entre agosto e outubro de 1999, em Ouro Preto, Mariana e Congonhas do Campo.A produção - Com a ajuda do escritor Rui Mourão, também diretor do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, Geraldo fez algumas alterações históricas e recompôs os diálogos e hábitos da época. "A vida na época era muito simples, com poucos móveis e ambiente precário", diz Mourão.Segundo Geraldo, a história que ele conta tem "80% de verdade histórica e o resto de ficção". A veracidade é baseada em documentos históricos, livros e conhecimento de historiadores. No filme, por exemplo, Geraldo, por opção pessoal, omite a família branca do escultor e altera nomes de algumas personagens.O ator Maurício Gonçalves, no papel de Aleijadinho, diz que tentou ser fiel à intenção do roteiro de realçar o aspecto humano do escultor. "Procurei seguir o que o texto pregava, sendo que grande parte da caracterização ficou por conta da maquiagem. Deixei tudo por conta da intuição", afirma Gonçalves.Além de Maurício, o filme tem no elenco Carlos Vereza (Cláudio Manoel da Costa), Edwin Luisi (Manoel Francisco Lisboa) e Ruth de Souza (Joana Lopes). Os figurinos são de Raul Belém Machado e Marney Heittman, e a música e regência, de Edino Krieger.História - Geraldo diz que mais do que contar uma história, o filme tem a função de resgatar aspectos importantes da cultura mineira. "Minas é um berço histórico e cultural. A diversidade aqui é encantadora, dos sertões às cidades históricas", afirma.O cineasta contextualiza a produção dentro do momento do cinema nacional. "Estamos vivendo uma ótima fase, com uma vasta diversidade temática. Temos o drama social, o filme histórico, a comédia, o filme nordestino, o sulista", comemora Pereira. Entretanto, Geraldo considera o cinema mineiro ainda tímido dentro desta nova fase do cinema brasileiro. "Por Minas ter esta importância histórica, nosso cinema tem que ser mais ousado". Na ocasião do lançamento do filme, que vai contar com a presença do governador Itamar Franco, Geraldo vai fazer um apelo para a criação de uma lei do cinema mineiro, com mecanismos específicos para financiar as produções do Estado.Depois do lançamento oficial, o filme será exibido nas principais cidades de Minas, sendo que uma das primeiras da fila é Juiz de Fora. Haverá ainda uma exibição pública, na Praça Tiradentes, em Ouro Preto, um desejo pessoal de Geraldo Pereira. Em seguida, o filme entra em circuito nacional.

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