Nas telas, a beldade número um da Inglaterra

Ela caiu nas graças de Hollywood ao interpretar a enfermeira dividida entre o amor de Ben Affleck e o de Josh Hartnett em Pearl Harbor. Aos 29 anos, a londrina Kate Beckinsale acumula 15 longas-metragens no currículo e desponta como a beldade número um da Inglaterra. Mesmo grávida, fui escolhida para contracenar com John Cusack em comédia romântica. Apesar do meu barrigão, estabelecemos uma química imediata, conta a atriz, par de Cusack em Escrito nas Estrelas, com lançamento nesta sexta-feira nos cinemas brasileiros (exceto Rio e Nordeste). Sara Thomas, sua nova personagem, é uma jovem que esbarra no homem de sua vida na correria das compras de Natal, perdendo-o de vista no final da noite. Seus caminhos só se cruzam alguns anos mais tarde, quando ele já está de casamento marcado com outra. ?Mas, como o título do filme adianta, o destino sempre dá um jeitinho de unir as almas gêmeas?, afirma Kate, abrindo um sorriso. Ela conheceu aos 20 anos, durante a montagem da peça The Seagul, o ator Michael Sheen (o pai de sua filha, Lily, de três anos). Também foi o céu que nos aproximou. Depois disso, nunca mais nos desgrudamos.Filha de atores renomados no Reino Unido, Kate prefere Londres a Los Angeles, o que não a impede de ser chamada por produtores hollywoodianos. ?Se quiserem me escalar, sabem onde me encontrar?, diz a atriz, estrela de mais quatro produções inéditas: Laurel Canyon, Underworld, Tiptoes e Rainfalls. Ela só lamenta que dificilmente conseguirá contracenar com outras atrizes britânicas nos Estados Unidos. ?No máximo, há uma inglesa por filme. Ninguém aguentaria duas?, brinca. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista concedida à Agência Estado, em Los Angeles. Depois de Kate Winslet, você parece ser a nova jovem inglesa a ter Hollywood a seus pés.Confesso que não gosto da comparação com uma atriz tão talentosa, principalmente porque isso deixa o público com mais expectativas com relação a mim. Mas entendo de onde vem. Afinal, somos duas inglesas que atuaram em superproduções hollywoodianas onde barcos afundavam (risos).Você conseguiu o papel em ?Escrito nas Estrelas? graças a ?Pearl Harbor??Não. O elenco de Escrito nas Estrelas foi escolhido muito antes de Pearl Harbor estrear. Quando me encontrei pela primeira vez com John Cusack, ele ainda filmava Alta Fidelidade. Na época, como eu estava grávida de Lily (atualmente com três anos), Cusack não garantiu que o papel seria meu. Apenas disse que tentaria convencer os produtores de que eu era a atriz certa para a protagonista feminina. Quando descobriram que tinham química para viver um par romântico nas telas? Logo no primeiro encontro. Deve ter sido essa química que o impediu de contratar outra atriz para a produção, preferindo esperar por mim. Acho que deu certo porque ambos gostamos de brincar e improvisar enquanto filmamos. Mesmo assim, ficamos apreensivos até vermos o produto final na tela. Há atores que se dão muito bem no set, mas isso não é refletido no filme. Muitos dos casais mais renomados do cinema se odiavam na vida real.Como reagiu às críticas negativas que ?Pearl Harbor? recebeu?Todo o elenco sabia que o filme não receberia críticas favoráveis por se tratar de uma superprodução carregada de efeitos especiais. Também tínhamos consciência de que o diretor Michael Bay e o produtor Jerry Bruckheimer estavam fazendo um filme para o grande público e não para a crítica. Por isso, estávamos preparados. Ou pelo menos, pensávamos estar. Confesso que fiquei um pouco chocada, já que existem tantos filmes piores que esse que não foram crucificados. Foi um exagero. O que me consola é que os espectadores gostaram. Eu pude perceber claramente porque foi, a partir de Pearl Harbor, que passei a ser reconhecida nas ruas.Como foi sair do anonimato da noite para o dia?Como nunca vivi em Los Angeles, preferindo morar em Londres, sempre me senti à margem do circo cinematográfico americano. Mas depois de Pearl Harbor as pessoas começaram a me pedir autógrafos. Eu acho divertido, mas admito que ainda não me acostumei. Quem não gosta muito é minha filha. Quando alguém me entrega uma caneta e um papel, quem quer escrever é ela (risos). Principalmente se a caneta for colorida.É frustrante atuar em um épico como ?The Golden Bowl?, que ficou apenas uma semana em cartaz nos EUA?Um pouco. É uma pena que quase ninguém tenha visto o filme. Tenho orgulho da minha performance, principalmente por contrastar com a anterior, em The Last Days of Disco, quando interpretei uma jovem muito má. Mesmo na Inglaterra, onde o gênero sempre floresceu, a platéia parece não estar mais tão interessada em épicos de James Ivory.Foi influenciada pelos pais, renomados atores ingleses, ao escolher a carreira de atriz?Meus pais nunca me pressionaram para entrar no showbiz. Pelo contrário. Na infância, quando alguém me perguntava se eu seria atriz, o que sempre acontece com filho de atores, eles me encorajavam a dizer que não. Meu pai morreu quando eu ainda era pequena, mas o meu padastro (um cineasta) também tentou me manter longe dos holofotes. Só que já era tarde. De tanto ver como todos voltavam para casa do trabalho revigorados, eu acabei me contaminando com o vírus artístico. Como foi debutar no cinema em ?Muito Barulho por Nada?, em 1993, contracenando com Emma Thompson e Kenneth Branagh, que inclusive dirigiu o épico?Na época eu ainda me dividia entre a universidade de Oxford, onde estudava francês e russo, e a carreira de atriz. Foi um período de tortura mental porque eu não sabia direito o que queria. Quando Kenneth Branagh me escolheu para interpretar Hero, eu estava tão perdida que nem sabia quem Keanu Reeves, meu par romântico no filme, era. Durante a filmagem, eu vivia angustiada e insegura. Mas aquele filme mudou a minha vida. Depois dele, abandonei os estudos em Oxford e me dedidei inteiramente ao cinema. Agora eu só falo russo com a mulher com que faço depilação.

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