‘Não tenho pudor de me deixar transformar’, diz atriz Gilda Nomacce

Destaque em ‘Gata Velha Ainda Mia’, ela conta como muda física e emocionalmente para seus personagens

João Fernando, O Estado de S. Paulo

27 Maio 2014 | 03h00

Em um papel pensado para assustar os espectadores de Gata Velha Ainda Mia, que estreou este mês, foi Gilda Nomacce quem ficou com medo na hora de entrar em cena. Admiradora de Regina Duarte, estrela do longa de Rafael Primot, a atriz de 42 anos tremeu na base na cena que Dida, a zeladora do prédio da protagonista, fica no escuro para consertar um fusível. "Comecei a chorar e ela se emocionou também", conta.

Com feição e figurinos esquisitos, Dida dá pequenos sustos nas protagonistas Carol (Bárbara Paz) e Gloria Polk (Regina Duarte), por quem nutre uma atração. Para acentuar o clima, Gilda se submeteu a uma caracterização pesada. "Passaram cola no meu rosto e descamaram para a minha pele piorar. Não tenho pudor de me deixar transformar. Adoro, curto cada passo", confessa ainda.

A situação não foi a primeira em que se entregou de corpo e alma a uma personagem. Para viver Miranda, a manicure médium de Quando Eu Era Vivo, a atriz passou por outras transformações. "Abdiquei da juba que tive a vida inteira. Cortei e descolori. Meu cabelo caiu inteiro e fiquei sem quase nada por dois anos. Agora que está voltando. Também tiraram a minha sobrancelha. Eu tenho essa disponibilidade."

Em vez de remorso, Gilda cria distanciamento para as caracterizações. "Olho para aquela pessoa e me emociono, pois aquele ser nunca mais vai existir." Parte de seus papéis se desdobra em novos trabalhos. "Na pré-estreia do Quando Eu Era Vivo, fui convidada para atuar em Califórnia, filme da Marina Person, em que interpreto uma empregada que faz simpatias."

Na onda de personagens que puxam outros, ela foi chamada pela Globo para reproduzir uma madame que encarnou por segundos no clipe Moon, do cantor Thiago Pethit. "Mas não passei no meu teste", lamenta. Apesar de nunca ter dado expediente na TV aberta, já desfilou três vezes pelo tapete vermelho de Cannes para representar filmes. Quando foi à França defender o longa Trabalhar Cansa, recebeu destaque na imprensa internacional na seção de fotos das celebridades do dia, em grupo em que estavam Angelina Jolie e Dustin Hoffman.

Parceira de anos dos diretores Juliana Rojas e Marco Dutra, responsáveis pela produção selecionada pelo festival francês, Gilda foi recrutada para preparar Sandy em Quando Eu Era Vivo, comandado pelo cineasta. "Morri de medo. Disse que não estava lá para ensinar, mas para aprender com ela. Usei técnicas que aprendi com o Antunes (Filho, diretor de teatro). No dia seguinte, ela chegou com roupas iguais às minhas: ‘Vim de Gilda’. Ela pode não ter muita experiência, mas é uma artista", derrete-se.

A paulista de Ituverava suou frio mesmo ao fazer audições para Ausências, filme de Chico Teixeira previsto para o segundo semestre, em que dá vida a uma mãe alcoólatra. Para conseguir o papel, Gilda passou pelo crivo de Fátima Toledo, preparadora de elenco de produções como Tropa de Elite, conhecida por abalar os atores ao tentar tirar as emoções de cada um.

"Cheguei a perder os sentidos em um ensaio. Ficou tudo escuro e desmaiei. Ela falou: ‘Volta e enfrenta’. A Fátima me tratou com respeito. No fim, o que ela faz é provocar para você expor os seus sentimentos. Durante o processo, caí da cama, me machuquei. Queria muito aquele papel", acrescenta.

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