Ique Esteves
Ique Esteves

‘Não sou militante (gay), mas sou um ser político’, diz Paulo Gustavo

Ator coestrela 'Minha Vida em Marte' com Mônica Martelli; estreia é nesta terça-feira, 25 de dezembro

Entrevista com

Paulo Gustavo

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

25 de dezembro de 2018 | 03h00

Como Anibal, o amigo gay de Fernanda em Minha Vida em Marte, Paulo Gustavo está cada vez mais ousado, e abusado. Os dois vão ao show de Anitta e Anibal flerta, ostensivamente, com o bonitão da equipe de produção. Ganha o cara. Se Fernanda/Mônica Martelli representa a mulher de 50, empoderada, Paulo Gustavo não fica atrás. Juntos, representam a promessa de megabilheteria para Minha Vida em Marte.

Usado e abusado, hein?

Mas tenho de ser, né, meu bem? Imagine. Saí de Niterói com R$ 50 no bolso e uma peça sobre uma dona de casa de chinelo e bóbis que eu queria interpretar. Só sendo muito ousado para convencer os outros de que isso podia ocorrer. Dona Hermínia estourou e eu fui junto.

Mas nesse Brasil homofóbico e cada vez mais conservador, você virou o gay da família brasileira...

As pessoas me adoram. Fiz show no fim de semana, num ginásio em São Luís (Maranhão), para milhares de pessoas. Tinha pobre, rico, negro, branco, hétero, gay. As crianças me adoram. Não sou militante, mas sou um ser político. Pago meus impostos, sou um cidadão de bem. Respeito e quero ser respeitado. Meu compromisso é ajudar as pessoas a viverem melhor. Casei com um homem, vivo feliz com ele. Não ficamos mostrando nossa intimidade, nem é preciso. Tudo tem limite, mas não abro mão de ser quem sou, como sou. Está dando supercerto.

Como é trabalhar com a Mônica (Martelli)?

A gente se conhece há muito tempo. É amigo na vida. Tanto ela como eu escrevemos nossos textos. E com a Susana (Garcia, irmã de Mônica), a gente dá duro para que o humor flua. A Mônica vai te dizer a mesma coisa. A gente rala e ensaia muito para dar essa impressão de que estamos improvisando.

E não há rivalidade, afinal, você é coadjuvante dela no filme...

Sou? Estou em cena com ela o tempo todo. Só não participei de duas diárias na filmagem, então é uma coisa muito parelha, muito equilibrada. Não tem ciumeira, não, até porque o Anibal, como amigo gay, é o grande apoio na vida de Fernanda. E isso ocorre cada vez mais na vida. Mulher poderosa sem amigo gay não está completa.

E o visual do Anibal?

Eu que criei. O figurino é meu, a peruca. Tenho mais de 40 perucas em casa, de tudo que é jeito.

A pergunta que não quer calar – vamos ter o ‘Minha Mãe É uma Peça 3’?

Vamos, sim, mas estou escrevendo. Vai sair bem bacana. Susana Garcia vai dirigir. A Susana dirige a Mônica no palco, no cinema. Me dirigiu no A Vila, que está ganhando nova temporada, e vai dirigir o Minha Mãe 3.

E o que você pode antecipar do novo filme?

Ih, está curioso, né? Vou contar só uma coisinha. Dentro desse espírito de fazer aumentar a tolerância nesse País tão preconceituoso, o Juliano, filho da Dona Hermínia (interpretado por Rodrigo Pandolfo), vai se casar com um homem, como eu. Vai ser bem legal.

Pode parecer bobagem, mas você lota estádio...

E tem ator veterano que diz que nunca viu isso.

Pois é, mas enfim. Nunca te convidaram para fazer musical, que faz tanto sucesso?

Não, porque eu escrevo o que faço, coassino o roteiro de Minha Vida em Marte. Mas o dia que eu fizer um musical, que achar que é o formato adequado, pode crer que aviso, tá?

Já que o filme (‘Minha Vida em Marte’) estreia em pleno de Natal, alguma mensagem particular?

Tolerância, respeito à diversidade, e paz e amor pra todo o mundo. E no que vem tem mais. Trabalho, trabalho, trabalho. Para todos, amém. 

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