"Não se Mova" aborda crise moral da Itália

O longa italiano Não se Mova, que estréia hoje, participou das mostras paralelas de Cannes, em maio e arrebentou nas bilheterias italianas. Parte do sucesso tem de ser creditada ao chamariz do nome de Sergio Castellitto, que dirige e interpreta, mas Não se Mova também se baseia num best seller local, escrito pela mulher dele, a atriz Margaret Mazzantini. O livro conta a história de um italiano à deriva, que usa para discutir a Itália sob Silvio Berlusconi. Castellitto amplia o que talvez fossem os limites do original, ao transformar a personagem de Penelope Cruz numa imigrante albanesa. A mulher é meio monstro, à maneira da personagem de Charlize Theron no filme que lhe deu o Oscar, mas Penelope não possuiu uma fração da truculência de sua colega americana. Há um flash-back - a violação da albanesa - que revela toda a abjeção do médico que Castellitto interpreta. É um homem casado e respeitável e o seu drama é desencadeado pelo incidente que abre o filme (sua filha está em perigo de morte). No desfecho, há um sacrifício regenerador para que a Itália possa redimir a má consciência de sua alta burguesia.

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