"Não dá para querer monitorar o governo", diz Dahl

Leia a entrevista com o cineasta Gustavo Dahl, um dos integrantes do Gedic (Grupo Executivo para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica).Agência Estado ? Steve Solot reclama da falta de discussão sobre o andamento da proposta do Gedic e teme a aprovação do projeto por MP.Gustavo Dahl ? Essa decisão é de governo. Não compete nem a ele nem a mim comentar essa decisão. De qualquer maneira, se o governo editar uma MP, ela pode ser alterada. Não dá para querer monitorar o governo.Alterar como? Por meio de ameaças comerciais?Primeiro que está se falando de alguma coisa que não se conhece. O encaminhamento foi o seguinte: os componentes do Gedic ligados às atividades, Luiz Carlos Barreto, Cacá Diegues, Pedro Parente, Rodrigo Saturnino Braga, Evandro Guimarães e eu, fizemos uma proposta de um projeto de lei que está sendo elaborado a nível técnico no governo. A partir deste momento, o Gedic deu sua contribuição. Nessa proposta, não havia nenhuma incompatibilidade frontal com o cinema americano. Todo mundo sabe que a presença do filme americano nos vários segmentos do mercado é importantíssima para a persistência do hábito social de ir ao cinema. Quando acaba o cinema americano, estamos em ditaduras como no Irã e na Coréia do Sul. Não é o nosso caso. O fato de o texto ainda não ser conhecido estimula a imaginação. Em relação às ameaças comerciais, os EUA tratam com muito zelo a sua política cinematográfica e fazem isso há praticamente 80 anos. Eu não acredito que se instalará uma situação de conflito por isso.Solot considera ambiciosa a proposta de criar uma indústria cinematográfica auto-sustentável que produza 200 filmes por ano até 2006.Nesses 200 filmes estão até os telefilmes. Sobretudo, longas e telefilmes. Uma meta de produção tem de estar ligada ao aumento do espaço de exibição. Não só o aumento do espaço de exibição do filme nacional, mas um aumento dos espaços como um todo. A idéia está ligada com o aumento do parque de exibição e de criação de estruturas de distribuição de maior porte.É idéia do Gedic criar uma espécie de Rio Filmes nacional?É uma coisa que parece evidente. A associação dos filmes brasileiros com as distribuidoras americanas não pode ser excludente. Não pode deixar o filme brasileiro ser distribuído totalmente por elas. É preciso que haja agentes brasileiros que façam isso. A proposta que foi feita ao governo é sistêmica com o fomento à produção, à distribuição brasileira e ao aumento significativo das salas. Esse aumento é um programa com metas otimistas por conta da necessidade. A idéia é a de que o Brasil precisa de, no mínimo, o dobro de salas, num cálculo muito sumário, e isso implica num investimento de R$ 900 milhões.Um investimento para a iniciativa privada?Deveria ser em parte para a iniciativa privada, uma outra parte incentivada e uma outra parte de salas populares em regiões carentes, aí com subsídio total do governo. É necessario uma desconcentração do parque existente. O aumento de salas que se deu ultimamente foi com os multiplex. Existe logo abaixo uma faixa de classe média que deve e precisa ser atendida e as camadas populares. Há, por exemplo, uma certa expectativa de reversão de processo de elitização do consumo cinematográfico, porque é evidente que está elitizado.

Agencia Estado,

22 de agosto de 2001 | 10h32

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