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Não cabem mais Carlos Imperiais no mundo

Filme 'Eu Sou Carlos Imperial', de Renato Terra e Ricardo Calil, estreia no festival É Tudo Verdade, em São Paulo

Julio Maria, O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2015 | 03h00

A existência de Carlos Imperial como homem bem-sucedido na indústria do entretenimento dos anos 60 e 70 é um milagre em si. Mentiroso, cafajeste, vingativo, antiético, aproveitador, ele era tudo isso e assumia-se assim com certo glamour quando percebeu que o personagem que havia criado para si já era maior do que ele mesmo. 

Mas, então, o que sustentava Carlos Imperial? O que fazia com que os donos de gravadoras o ouvissem? Com que os executivos de TV dessem programas a ele? Com que os grandes artistas o procurassem? Aí aparece o outro lado da moeda, como aponta o fabuloso documentário Eu Sou Carlos Imperial, de Renato Terra e Ricardo Calil. Imperial era tudo isso e mais um pouco, muitas vezes, em prol de seus escolhidos. 

Uma espécie de ‘cafajeste solidário’, de ‘canalha gente boa’que pensava no próximo desde que este não pisasse no seu calo. Usava de estratégias das mais infames para chamar atenção a seus clientes. Registrou em seu nome Meu Limão, Meu Limoeiro, uma canção de domínio público, e a deu para que Wilson Simonal voasse à bordo da “pilantragem”, um delírio que, em suma, não era nada, inventada por ele como se fosse um novo gênero. 

Criando suas próprias regras, ele gravou o primeiro disco de Roberto Carlos (que Roberto renega), o primeiro disco de Elis Regina (do qual ela não podia ouvir falar), e deu asas a Simonal, Dudu França, Eduardo Araújo, Toni Tornado. Tornou-se uma lenda em vida repetindo mentiras por mil vezes. Para o bem e para o mal, não cabem mais Carlos Imperiais no mundo.

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