Na tela, o conflito de gerações revolucionárias

O fantasma de Maio de 68 volta aos cinemas em Para Sempre na Minha Vida, de Gabriele Muccino, não como tema, mas como uma referência para a história desses jovens que planejam (e executam) a ocupação de uma escola de Roma, na atualidade, para protestar contra a standardização do ensino e das oportunidades no mundo globalizado. No filme, Silvio, como qualquer adolescente de 16 anos, está obcecado para perder a virgindade. A primeira noite é seu tema permanente com os amigos. Nesse quadro, ocorre a ocupação da escola e a possibilidade de ficar com a garota que ele deseja. Silvio corre para casa para buscar o saco de dormir. Topa com o pai, que não o deixa sair. Ele se revolta. Grita, no contexto do lar, as palavras de ordem contra a burguesia que estão na boca de seus colegas na escola. O pai quer que o filho estude, que se mantenha longe de confusão. A mãe é Ana Galiena, bela mulher e atriz maravilhosa. Tenta lembrar ao marido como eles foram, no que acreditavam. O marido sustenta que sua geração era melhor. Gabriele Muccino fez um filme sobre os jovens atuais, tão acusados de consumismo e alienação. Os jovens e a política, os jovens e o conflito de gerações, os jovens e o sexo. Garotos e garotas que gritam palavras de ordem contra a desigualdade do mundo são conservadores no amor. São contra a propriedade privada dos meios de produção, mas querem ser donos daqueles a quem amam. É um filme sobre todas essas contradições. É honesto e emocionante. O ideal seria discuti-lo em casa, na escola, mas como diz Silvio - os jovens só conversam com aqueles que falam a linguagem deles. O filme fala. Para sempre na Minha Vida mostra o que separa, buscando selar a aproximação.

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