Marvel Studios
Marvel Studios

Na sequência de Doutor Estranho, nem tudo é sobre ele

Benedict Cumberbatch diz que o filme mostra o personagem precisando colaborar com os outros

David Betancourt, The Washington Post

09 de maio de 2022 | 10h00

Muitas das coisas mais esperadas sobre o novo filme do Doutor Estranho envolvem tudo menos o Doutor Estranho.

O que acontecerá com Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen), cujo sucesso com WandaVision a tornou uma das super-heroínas mais populares da Marvel? Quanto veremos de America Chavez (Xochitl Gomez), que nos quadrinhos é latina e lésbica? Os X-Men farão sua estreia na Marvel? E Namor, o Submarino? Poderia o ator original ligado ao papel do Homem de Ferro, Tom Cruise, aparecer como o novo Tony Stark? (OK, talvez isso já seja forçar barra.)

Mas Benedict Cumberbatch, retornando ao papel de feiticeiro superpoderoso da Marvel, talvez o mais autoconfiante de todos os Vingadores, diz que sabia exatamente o que estava fazendo em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, que agora está nos cinemas. E ele se sente bem com isso.

“Esta é uma franquia lotada, com muitos personagens e muito enredo, muita história, especialmente porque exploramos adequadamente o multiverso neste filme”, diz Cumberbatch. “As complexidades e camadas disso significam que sim, o nome do meu personagem está no título, mas nem tudo é tudo sobre ele”.

Afinal, muitos dos grandes momentos de Cumberbatch como Doutor Estranho aconteceram em momentos nos quais compartilhava a tela. Em Vingadores: Ultimato, de 2019, sem palavras e com apenas um dedo, ele disse ao Homem de Ferro de Robert Downey Jr. que era hora de morrer. Ele também desempenhou um papel fundamental em outro conto do multiverso, Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, sucesso de um bilhão de dólares que foi o maior filme da era da pandemia até agora nas bilheterias.

Cumberbatch ainda flexiona seus músculos de super-herói no novo filme, interpretando várias versões do universo alternativo do Doutor Estranho. Versões heróicas, aparentemente malignas e zumbis do personagem, criado pelo falecido Steve Ditko e Stan Lee. Mas o ego parece ser o denominador comum entre as variantes. Desta vez, porém, Cumberbatch diz que Strange precisa aprender a confiar em alguém que não seja ele mesmo.

"Há semelhanças entre essas existências paralelas, mas também diferenças importantes", disse Cumberbatch. "Foi um desafio... criar algo diferente, mas ao mesmo tempo reconhecível. Há um elemento dele que é constante. Mas ele ainda está muito ferido em seu ego e arrogância. Este filme realmente desfaz essa lógica e o testa de uma maneira na qual sua evolução é tal que ele não pode operar como uma entidade solo. Ele tem que colaborar."

A Vingadora mais experiente com realidades alternativas é a Feiticeira Escarlate de Olsen, depois de seu tempo em WandaVision. Os temas de luto e negação desse programa voltam em Multiverso da Loucura, e ela diz que Wanda e Doutor Estranho são mais parecidos do que imaginam.

“Esses personagens devem estar no mesmo mundo juntos”, diz Olsen. "É empolgante que possamos colocá-los no mesmo mundo porque eles se entendem. Ambos são independentes de certa forma."

Na cadeira do diretor está Sam Raimi, que muitos consideram o padrinho do cinema de super-heróis. Vinte anos atrás, ele dirigiu Tobey Maguire no primeiro filme do Homem-Aranha, creditado por abrir a porta para o atual domínio de super-heróis na indústria do entretenimento.

"O cara é tão humilde e teve uma tarefa difícil.Não fazia isso há um tempo", diz Cumberbatch, referindo-se a Raimi retornando aos filmes de super-heróis para substituir o diretor original, Scott Derrickson, responsável pelo primeiro filme do Doutor Estranho em 2016. “Não foi nem um pouco desanimador pensar em seus pontos fortes e seu status neste gênero e no gênero de terror, ambos se alinhando neste filme."

Raimi diz que Cumberbatch facilitou o seu retornoaos filmes de super-heróis. “Ele queria que fôssemos fiéis ao Doutor Estranho e nada óbvios”, conta Raimi. "Ele sempre me desafiava para ser o melhor que pudesse ser."

Nos últimos tempos, um papel como um super-herói da Marvel Studios parece à prova de críticas. Os fãs e o dinheiro das bilheterias estarão lá. Cumberbatch reconhece a crescente divisão entre fanboys dedicados e os críticos de cinema que preferem que os filmes de super-heróis deixem de ser feitos. Ele sabe que há quem prefira vê-lo em filmes como Ataque dos Cães, o faroeste que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor ator.

"Adoro fazer os dois lados. Não estou interessado em um ou outro em detrimento de um ou outro", diz Cumberbatch. "Sempre vivemos em um sistema que, por meio de estúdios ou estrelas, ajudou a financiar filmes menores e chamar a atenção para histórias importantes que de outra forma não seriam contadas... E sim, temos que estar atentos a qualquer homogeneização. Mas você não precisa ir muito longe para ver que há um amplo espectro de arte. Então viva e deixe viver." (TRADUÇÃO DE JOÃO LUIZ SAMPAIO)

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.