PAPRICA FOTOGRAFIA
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Na Mostra, ‘Simonal’ recupera a ambígua história do cantor

Fabrício Boliveira vive o artista que nunca foi perdoado pelo seu envolvimento dúbio com a ditadura militar

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

27 Outubro 2018 | 06h00

Uma última chance para ver Simonal na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: neste sábado, 27, o filme é exibido no Espaço Itaú Frei Caneca, às 15h40. Com elenco estrelado (Fabrício Boliveira, Isis Valverde, Mariana Lima, Leandro Hassum e Caco Ciocler), o filme é o mais recente representante brasileiro do gênero biopic – com lançamento previsto para 2019, marca a estreia de Leonardo Domingues na direção de longas.

Domingues trabalhou na pós-produção do documentário Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei, de 2009, que resgatou a história de Wilson Simonal (1938-2000), desde sua ascensão no Beco das Garrafas, no Rio dos anos 1960, até o ostracismo a que foi condenado após um envolvimento ambíguo com a ditadura militar. O filme deve levar a história agora a uma audiência mais ampla.

“Eu tive mais liberdade, porque já existia o documentário, dois livros, musicais, então foi um assunto bem debatido”, explica o diretor. O filme, porém, também conta como, desconfiado de que seu contador o roubava, Simonal armou um “susto”, que virou sequestro com agentes do DOPS, o que resultou em julgamento e prisão do cantor.

Depois disso, colou-se a ele a pecha de dedo duro e colaborador da ditadura, imagem da qual passou a segunda metade da vida tentando se livrar – um elemento de racismo aparece como definidor da dificuldade que tanto a direita quanto a esquerda tiveram em perdoar o cantor.

O filme investe um pouco mais na história de amor de Simonal com Tereza Pugliesi (Isis Valverde). Os filhos Simoninha e Max de Castro assinam a produção musical do filme, premiada em Gramado (também levaram Kikitos a direção de arte de Yurika Yamazaki e a fotografia de Pablo Baião).

Boliveira, o Roberbal da novela Segundo Sol, passou por uma preparação vocal e corporal para interpretar o cantor, mas a voz que se ouve nas canções no filme é a do próprio Simonal. “Max e Simoninha tinham as fitas da Odeon”, explica o diretor. “Eles tinham acesso à música separada da voz, isso ajudou muito, e foi isso que tornou possível a cena do plano sequência no teatro” – um dos pontos altos da mise-en-scène de Simonal.

Como o projeto começou a ser desenvolvido em 2010, deve-se resistir à tentação de comparar as situações do filme com episódios recentes, mas o diretor comenta a sincronicidade: “acho que mostra um elemento cíclico da história do país, porque novamente existe uma discussão da ditadura”.

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