Na mostra: <i>O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias</i>

Ano de Copa do Mundo. Ano também de"milagre econômico", ditadura militar, perseguições políticas,risco de vida para quem se opõe ao regime. Claro: estamosfalando do Brasil de 1970. De um lado, um país em frangalhos; deoutro, uma maravilhosa seleção, que representava talvez um paísideal, bem melhor que o real, na Copa do Mundo do México. O Anoem Que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger, procuracolar uma coisa na outra - o país que vai mal com o futebol quevai muitíssimo bem. E visto através de um garoto que, obviamente só tem olhos para Pelé, Gérson, Rivellino, Tostão & Cia. Etambém para Félix, já que deseja ser goleiro. A história é simples. Os pais são militantes e precisamescapar. Ou talvez juntar-se a um grupo armado. Moram em BeloHorizonte e vão deixar o menino na casa do avô, em São Paulo, noentão bairro judeu do Bom Retiro. Mas por algum motivo que nãocabe dizer aqui, não será o avô (Paulo Autran) quem tomará contado futuro goleiro, mas um desconhecido. Essa a história. Mas há a ambientação. E que revelaaquilo que São Paulo, tantas vezes achincalhada como cidadeimpossível de se viver, tem de melhor - o cosmopolitismo, acapacidade de povos oriundos de vários lugares do mundo viveremjuntos. Porque no Bom Retiro não há apenas judeus. Existem ositalianos, os nordestinos que vieram chegando, os negros, osárabes - todos, enfim, que formam a cara de um paísmulticultural e multirracial como o nosso. O filme é, em boamedida, essa celebração do País como mistura e convivência, algoque não entra na cabeça raspada de idiotas como esses quedistribuem cartazes racistas na Vila Mariana. O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias (2006, 105 min.) -Unibanco Arteplex 2. Rua Frei Caneca, 569, 3472-2365. Quarta,13h30. Cine Bombril 1. Av.Paulista, 2.073, 3285-3696. Sáb.,19h20

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.