Na Mostra, a beleza e ousadia de <i>Hamaca Paraguaya</i>

Dez da noite desta sexta-feira noUnibanco Arteplex 2 - não perca Hamaca Paraguaya, de PazEncina. Foi o único filme produzido em décadas no Paraguai, maisexatamente desde que Guillermo Vera concluiu Cerro Cora, em1978. Fez sensação no Festival de Cannes, em maio, onde integroua competição da Caméra d?Or, para melhor filme de diretorestreante, tendo sido, o tempo todo, um dos preferidos do júri.Jean-Louis Vialard, fotógrafo de Mal dos Trópicos, deApichatpong Weerasechakul - destaque da Mostra passada -, não secansava de elogiar a ousadia dos planos-seqüências e dotratamento fotográfico. Co-produzido com apoio da França, da Holanda e daArgentina, Hamaca pertence à vertente minimalista de Honor deCavalleria, do catalão Alberto Serra, que buscou inspiração noDon Quixote, de Miguel de Cervantes, filmando fragmentos, em vezde aspirar à totalidade da obra clássica. Em Cannes, o repórterquebrou o protocolo do júri da Caméra d?Or, que integrava, e foià diretora Paz Encina para saber se havia lido o livro doescritor gaúcho Josué Guimarães, Enquanto a Noite não Chega. Asituação é praticamente a mesma. Um casal de velhos espera pelofilho que foi para a guerra. Paz afirmou desconhecer o livro. Ela arma uma espécie de teatro. Os velhos estão alisentados, faz muito calor, a massa de árvores está atrás deles e ao longe, ouvem-se os latidos do cachorro. A câmera quase nuncase aproxima, filmando a distância, num plano geral. Quando seaproxima, você até lamenta isso, porque há uma espécie de quebrana radicalidade da proposta. É um filme ousado. E belo.Hamaca Paraguaya (2006, 78 min.) - Unibanco Arteplex 2. Shopping Frei Caneca, 569 - 3.º piso. Hoje, 10h

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