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Na França, 'Star Wars' já vendeu 300 mil ingressos

Correspondente do 'Estado' Gilles Lapouge comenta a expectativa que cerca o filme em Paris

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2015 | 12h12

PARIS - Os franceses estão vibrando. Pela primeira vez, ganharam dos americanos: puderam ver o sétimo filme da saga Guerra nas Estrelas nesta quarta-feira, 16 de dezembro, enquanto os americanos, coitados, terão de aguardar pacientemente mais dois dias, até 18 de dezembro. Na França, já tinham sido vendidos 300 mil ingressos.

O lançamento em órbita do filme prenuncia-se ainda mais impressionante do que o de Cinquenta Tons de Cinza. Guerra nas Estrelas 7 merece seu título, O Despertar da Força. Na França, está previsto para mil cinemas. A Disney espera uma bilheteria de 650 milhões no primeiro final de semana.

Considerando a loucura provocada pela série, é difícil imaginar por que razão a Disney preparou o acontecimento com tamanha minúcia. Não há nenhuma necessidade de vender o filme ao público. Ele já se vendeu por si. Na realidade, o que se quer impor é menos o filme do que o universo das Guerras nas Estrelas: fazer com que o planeta inteiro esteja conectado com o universo das Guerra nas Estrelas.

A Disney não precisa comprar espaços publicitários. Por um lado, porque este universo é tão conhecido que até quem nunca viu o filme está informado a respeito. Por outro lado, porque os jornais não param de falar de Guerra nas Estrelas, a ponto de dificilmente se distinguir o que, nos jornais, é “espaço publicitário” e o que é “espaço editorial”.

Na realidade, o lançamento deste filme não está mais limitado aos dias que antecedem sua estreia. É algo permanente. Há um ano, vem sendo destiladas notícias sobre Guerra nas Estrelas. Outra sutileza: deve-se falar o tempo todo a seu respeito, sem no entanto revelar os meandros da intriga. Além disso, durante meses, tivemos o direito a teasers, trailers, cartazes, miríades de tuítes.

O desafio é manter viva a curiosidade, a impaciência, alimentar os diálogos entre os futuros espectadores para debaterem as respectivas hipóteses. Alguns fragmentos do roteiro são revelados indiretamente. O mesmo mistério, meio revelado, existe em relação ao elenco.

Sabe-se que Harrison Ford está novamente em serviço, quarenta anos mais tarde, quase para lançar uma ponte entre a estreia da saga e seu futuro, e insinuar a ideia de que a série das Guerras nas Estrelas tem uma “história”, como um país, como uma aldeia, como um ser vivo tem uma história. E desse modo prestar uma homenagem à nostalgia.

Foi divulgado o nome de algumas estrelas em ascensão de Hollywood. E principalmente, a surpresa: Daisy Ridley, atriz britânica de 23 anos perfeitamente desconhecida, que encarnará, ao que parece, uma caçadora que vive sem família no planeta Jakku.

A Disney tem outra arma: o silêncio ou o insólito. Por exemplo, os fãs observaram que Luke Skywalker está ausente da promoção do filme, mas o seu intérprete, Mark Hamill, figura no elenco. O que se esconderá atrás disso?

A promoção se faz também pelos produtos alardeados pelas revistas especializadas. Aliás, o esquema é perfeito: é o público que financia a publicidade do filme pagando os objetos por ele promovidos.

Há alguns meses, as crianças estão de olho nos brinquedos de Guerra nas Estrelas. É aí que, mais uma vez, está a malícia dos promotores: há um objeto de cuja existência fomos informados somente por algumas imagens rápidas que apareceram de relance nos trailers: o droide esférico que ainda não existe. Mas pouco importa, as crianças brigam por causa dele.

Desde 1977, segundo estimativas (porque os estúdios não divulgaram nenhum número), os produtos derivados da série já teriam proporcionado um faturamento de US$ 9 bilhões a 10 bilhões.

O custo da produção do filme foi calculado em US$ 250 milhões, uma bela soma, porém modesta se comparada aos ganhos esperados pela Disney: para o filme em si (sem falar nos produtos derivados): US$ 1,5 bilhão e talvez até US$ 2 bilhões. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

*Gilles Lapouge é correspondente em Paris

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