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Música eletrônica inspira primeira ficção de Marcos Prado

Documentarista e produtor de 'Tropa de Elite', Prado lança o longa-metragem 'Paraísos Artificiais'

Flavia Guerra - O Estado de S.Paulo,

23 de abril de 2012 | 11h28

Paraísos Artificiais é um dos primeiros, senão o primeiro filme brasileiro a investigar o universo da música eletrônica e, por consequência, do uso (e do tráfico) das drogas sintéticas, são usadas e tão associadas às raves. Por rave, entende-se em geral as grandes festas ao ar livre em lugares afastados, onde, ao som de música eletrônica, milhares de pessoas se aventuram em viagens (literais e lisérgicas) por paraísos naturais e artificiais. O assunto rende senão um, mas uma série de documentários. No entanto, ainda que muito fiel à realidade, Paraísos Artificiais é uma ficção, a primeira de Marcos Prado.

O filme narra a história de amor de Nando (Luca Bianchi) e Érika (Nathalia Dill), dois jovens que se encontram e desencontram ao longo de vários anos, sempre ‘ao som’ da música eletrônica.

Para entender melhor porque ter a direção de Prado faz a diferença, é preciso saber que, mais que diretor, ele é documentarista por natureza. Fotógrafo de formação, viajou pelo mundo, ganhou diversos prêmios nacionais e internacionais, participou de exposições no Brasil e no exterior de trabalhos que eram documentários fotográficos sobre temas pungentes como Os Carvoeiros e o cotidiano do Lixão do Jardim Gramacho.

Nos anos 90, mesmo com o sucesso como fotógrafo, Prado estava frustrado. Ele queria mais: que suas imagens e registros de temas alcançassem um “público que não era o de museu”. Foi então que encontrou no cinema, mais especificamente no documentário, a saída para chegar às grandes plateias. Ou quase. O registro de anos no Jardim Gramacho deu origem ao super premiado Estamira (2004), documentário que levou 33 prêmios em festivais pelo mundo e foi uma das primeiras produções da Zazen, a produtora que Prado fundou com José Padilha em 1997.

Mas era preciso se aventurar pela ficção. O público dos documentários era muito maior que os das exposições, mas nada comparável ao salto que Prado e Padilha deram em 2007, quando lançaram sua primeira ficção: Tropa de Elite, que, apenas no cinema, foi visto por 2,4 milhões de pessoas. “Sem contar quem viu a cópia pirata... E Tropa era para ser um documentário, mas teve de virar ficção por ser impossível de ser filmado. A partir daí, percebemos que, por questões de narrativa, público e até mesmo financeiras, teríamos de partir para a ficção”, contou Prado, que produziu Tropa 1 e Tropa 2, este o maior público da história do cinema brasileiro, com 11 milhões de espectadores.

Depois da experiência como diretor de documentários e produtor, era a hora de Prado dirigir sua primeira ficção. Foi então que nasceu Paraísos Artificiais. “Na verdade, assim como o Tropa, começou como uma ideia para documentário. Mas, uma vez mais, era impossível filmar todas as raves, conseguir autorização etc.”, conta o diretor de 50 anos, que teve a ideia de investigar o universo da música eletrônica e das drogas sintéticas ao perceber que seu filho Tomás, de 20 anos, então com 16, iria muito em breve passar pelas experimentações da juventude. “Como pai, eu me preocupava com as escolhas que ele iria fazer. E percebi que, por poder escolher tanto, os jovens hoje nem sempre acabam fazendo a escolha certa.”

Em vez de um tratado sobre o uso de drogas, o diretor queria fazer um filme ‘pequeno’, sobre um drama familiar, uma história de amor, de recomeços. Mesmo assim, o tema das drogas está em primeiro plano. Documentarista, Prado foi pesquisar a fundo este universo, fez dezenas de entrevistas, frequentou e viajou para os maiores festivais do mundo, como o Burning Man, nos EUA, caprichou na trilha sonora e pediu ajuda a quem entende de música eletrônica, como Renato Cohen e Franklin Costa.

Se de música eletrônica não entende nada, as drogas, pode-se dizer, ele tem conhecimentos básicos. “Já experimentei as sintéticas em uma fase mais tenra. Já fui jovem. A primeira vez que provei ecstasy foi dado por uma terapeuta, em 1986, no auge da droga em Londres, quando não era tão comum no Brasil. Mas sempre fui medroso. Sempre pisei devagarinho. Não quero fazer apologia nem condenar ninguém. Importante é levantar discussões.” 

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