Mundo de fantasia, em que velhinhos fazem e acontecem

Em ‘Red - Aposentados e Ainda Mais Perigosos’, os atores se divertem mais que o público, mas, sem eles, seria insuportável

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo,

27 de julho de 2013 | 18h24

Nem Dean Parisot deve se lembrar de que recebeu o Oscar de curta por The Appointments of Dennis Jennings, em 1988. É o que se chama de diretor bissexto. Fez poucos filmes e o último, antes de Reds 2, foi As Loucuras de Dick & Jane, em 2005. Embora menos crítica que a versão original – Adivinhe Quem Vem para Roubar, com Jane Fonda –, o filme fazia observações interessantes sobre o sistema bancário.

Parisot assina agora o segundo filme da série Red. Os velhinhos da espionagem estão de volta – e ainda mais perigosos. A ideia até que é divertida – num mundo que celebra a juventude, um grupo de velhinhos sacudidos não deixa de ser contracorrente. Hoje em dia, o que se celebra, além de os velhos estarem vivos, é o fato de ainda serem consumidores. A coisa aqui é um pouco diferente. Helen Mirren, como ex-agente britânica, pisa na bola. O que seria seu superior no serviço secreto a deixa com um jovem que vai terminar o serviço, isto é, matá-la. O carinha observa que ela é uma lenda, mas não é do tempo dele. Helen lhe dá o troco, veja para saber como.

Reds 2 é outra fantasia em que velhinhos fazem e acontecem. Ressuscitam – e não apenas metaforicamente. Logo na abertura, John Malkovich vem pedir socorro a Bruce Willis, que se casou com Mary-Louise Parker, e ela, para falar a verdade, anda aborrecida com esse marido que parece estagnado. Mary-Louise quer ação, aventura. Willis só pensa em protegê-la. Por isso ele diz não a Malkovich e a consequência é que, na cena seguinte, ele está no funeral do amigo, fazendo seu necrológio.

Sem que fique claro como Malkovich conseguiu simular a própria morte, mas ressurge e arrasta os amigos pela França, pela Rússia, em buscas der uma bomba – e do cientista que a criou. Entra em cena Anthony Hopkins, que vive ameaçando se aposentar (na vida), mas não resiste a nenhum convite para filmar não importa o quê. Para completar o time, Catherine Zeta-Jones faz uma antiga agente soviética com quem Willis teve um tórrido affair e isso atiça o ciúme de Mary-Louise Parker. O que se pode dizer de tudo isso é que os atores, e são todos bons, até grandes, dão a impressão de se divertir mais que o espectador, e isso é grave.

Existem, aqui e ali, boas observações, boas piadas, que se somam à diversão de ver a ‘rainha’ (Helen Mirren) pegar em armas, mas nada que renove a espionagem, como a própria série com 007 vem fazendo nos filmes de Daniel Craig. O problema de Reds 2 talvez seja o excesso. Pegue, por exemplo, a cena em que o chinês deflagra a armadilha para Willis em Paris. É tão over que passa do ponto – e perde a graça. Se ficasse só no 1, Red até que deixaria uma lembrança agradável, senão memorável. O 2, além de ser memorável, precisa ser mais em tudo, pelo padrão de Hollywood. Com Willis, Malkovich e Helen dá para rir um pouco. Sem eles seria, talvez, insuportável.

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