Mundo chora morte de Paul Newman; filhas lembram vida do pai

Em jornais de todo o planeta, ator norte-americano competia com notícias sobre a crise econômica mundial

Reuters e Associated Press, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2008 | 23h00

Imagens do ator norte-americano Paul Newman, que morreu no sábado, adornaram as primeiras páginas dos jornais de todo o mundo neste domingo, 28, e seu penetrante olhar azul competiu pela atenção dos leitores junto às manchetes da crise financeira mundial. Suas cinco filhas Susan, Stephanie, Elinor, Melissa e Clea também liberaram uma carta sobre a morte do ator, contando como foi a vida delas ao lado do pai (veja íntegra no fim da matéria).   Veja também: Galeria com fotos da carreira de Paul Newman    Destacando o apelo internacional de Newman, o diário britânico Independent Sunday apresenta uma fotografia do ator ocupando a primeira página inteira, colocando as últimas notícias dos problemas bancários do país nas páginas interiores. "Paul Newman: Morte do Rei do Cool", anuncia o cabeçalho do Sunday Times sobre o rebatedor de corações e filantropo, que morreu por causa do câncer aos 83 anos.   O semanário Observer dedicou duas páginas sob o título "Um ator de verdadeiro gênio e homem de grande decência", focando a filantropia de Newman e sua devoção pela família, assim como seus principais papéis no cinema. Na França, políticos juntaram para homenagear o ator, e o presidente Nicolas Sarkozy o aclamou como "lenda de Hollywood".   "Ator, autor, roteirista, diretor, produtor e filantropo, também foi um grande amigo da França e os fanáticos por corridas de carro recordaram suas sucessivas aparições na corrida de 24 horas de Le Mans", disse o chefe de Estado francês numa declaração. "A morte de um bom homem", afirmou o título no principal jornal dominical na França, Le Journal du Dimanche, brindando a maior parte de sua capa uma foto de Paul Newman.   Até a muçulmana e conservadora república do Irã, que geralmente não se preocuparia em reportar sobre uma estrela do cinema ocidental, destacou a morte de Newman. Dois jornais pró-reforma mostraram o ator em suas primeiras páginas, enquanto os meios estatais iranianos também informaram sua morte. O diário Etemad publicou uma foto de Newman que dizia "se apaga a última estrela clássica", e o jornal Kargozaran disse "Fim do rapaz dos olhos azuis".   Na Alemanha, assim como em todo lugar, os canais de televisão mostram trechos dos filmes estrelados pelo ator. "Paul Newman: o último herói está morto" intitulava a última página do grande Bild am Sonntag. Um subtítulo no mesmo jornal dizia "Este maldito câncer. Agora matou os olhos mais azuis do mundo".   Diversos obituários repetiam comentários que Newman fez sobre sua famosa boa aparência. "Imagino meu epitáfio", disse uma vez, "Aqui jaz Paul Newman, que morreu fracassado porque seus olhos se tornaram castanhos".   O The New York Times o chamou de "um titã magnético de Hollywood", e na Itália, Sophia Loren, que representou no filme Lady L ao lado de Newman, disse que recebeu as notícias de sua morte como "um golpe". "Quando personalidades tão importantes morrem, me desespero e penso que, pouco a pouco, todos os grandes estão desaparecendo", disse a atriz no jornal Il Messaggero.   Carta das filhas de Paul Newman:   "Paul Newman desempenhou muitos papéis inesquecíveis. Mas aqueles que davam a ele mais orgulho nunca foram campeões no faturamento de bilheterias: um marido dedicado, um pai carinhoso, um avô adorável e um filantropo dedicado.   Nosso pai era um raro símbolo de humildade, o último a reconhecer o que ele fazia de especial. Intensamente reservado, ele conseguiu, calmamente, provocar grande impacto nas vidas dos outros com sua generosidade.   Sempre e até o fim de sua vida, papai foi incrivelmente grato por sua sorte. Em suas próprias palavras: "era um privilégio estar aqui". Ele será profundamente lembrado por aqueles a quem ele tocou, mas ele nos deixa uma extraordinária inspiração para seguir.   Durante esse período difícil, pedimos privacidade para nossa família."

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