Warner Bros
Warner Bros

'Mulher-Maravilha 1984': 'O vilão Max Lord provavelmente teria idolatrado Trump', diz Pedro Pascal

Ao lado de Chris Pine, ator conta suas lembranças no período dos anos 1980, em que o filme é situado

Mariane Morisawa, Especial para o Estadão

16 de dezembro de 2020 | 05h00

LOS ANGELES — A estrela de Mulher-Maravilha 1984 é do sexo feminino, lógico. Mas isso não quer dizer que os homens não tenham papéis de destaque, começando pela volta inesperada de Steve Trevor, o namorado de Diana Prince que ela conheceu na época da Primeira Guerra Mundial e que – atenção para o spoiler de Mulher-Maravilha – morreu no primeiro filme. Como ele consegue retornar do mundo dos mortos e ainda no mesmo corpinho de Chris Pine, aos 40 anos, é um dos mistérios da continuação. “Você vai ter de assistir para descobrir” é a resposta do ator quando indagado sobre o assunto em entrevista ao Estadão, em Los Angeles, em janeiro. 

Pedro Pascal interpreta Max Lord, um empresário-vilão criado à imagem e semelhança do Lex Luthor de Gene Hackman nos filmes originais do Superman, do Gordon Gekko de Michael Douglas em Wall Street – Poder e Cobiça e... de Donald Trump. “Ele era um personagem importante dos anos 1980”, disse Pascal ao Estadão. “E era uma representação daquela mentalidade de ter tudo e ir atrás disso custe o que custar. Infelizmente, Max Lord provavelmente teria idolatrado Trump na época.”

Nascidos respectivamente em 1975 e 1980, Pedro Pascal e Chris Pine viveram bastante aquele período. “Meus pais eram muito jovens, então iam a shows o tempo todo – e me levavam junto”, contou Pascal, que viu The Police aos 4 e depois Madonna, Tears for Fears, Rolling Stones. Sua mãe era obcecada por Prince e parava tudo o que estava fazendo sempre que ele aparecia na tela da MTV. Assistiu a Rambo – Programado para Matar aos 7. “Eram os anos 80!”, explicou. Também usava roupas Benetton e Fiorucci. Pine, por sua vez, se lembra de ter feito seu amigo Andrew chorar na frente do Chinese Theater, em Los Angeles, depois de verem E.T. – O Extraterrestre por não acreditar que o personagem era real – Andrew achava que sim. “Me lembro também de ter de sair da sala na cena de sexo de Top Gun”, contou. “E eu tinha todos os tipos de roupa de cama de Star Wars disponíveis.”

A relação de Diana e Steve fez com que se lembrasse, aliás, de pares como Michael Douglas e Kathleen Turner em Tudo por uma Esmeralda (1984) e Kate Capshaw e Harrison Ford em Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984). “Foi muito legal ter a chance de fazer um desses relacionamentos românticos que existem desde o início do cinema”, disse Pine. “Achei muito bacana a ideia de casar um romance com uma produção de ação de US$ 200 milhões. Porque quase não vemos mais filmes românticos.” De jeito nenhum, ele ficou incomodado com a posição de “namorado”. Na verdade, deu a ele perspectiva sobre o papel que tantas atrizes precisam interpretar no cinema. “Mas gostei de deixar a parte da ação pesada para a Gal”, contou. “Não precisar acordar todo dia às 5 foi ótimo.”

Pedro Pascal, que assistiu ao primeiro filme como espectador apenas, achou a experiência de ver uma super-heroína na tela grande emocionante. “Foi uma coisa muito estranha ir às lágrimas numa sequência de ação, mas foi o que aconteceu comigo quando a Mulher-Maravilha cruza a terra de ninguém”, disse. “Foi lindo ver uma super-heroína que tem poder na sua feminilidade, cuida dos outros e é fera no que faz. Foi uma experiência valiosa para todos porque é a experiência de todos.”

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.