Jasin Boland/Walt Disney Studios Motion Pictures
Jasin Boland/Walt Disney Studios Motion Pictures

'Mulan': Ativistas pró-democracia pedem boicote ao remake live-action da Disney

Controvérsias relacionadas ao filme da Disney envolvem Hong Kong, Xinjiang e comentários da protagonista

Redação, Reuters

08 de setembro de 2020 | 11h26

 

O lançamento pela Walt Disney de Mulan, filme que se passa na China e tem como objetivo atrair o público local, provocou uma reação negativa nas redes sociais por ter sido parcialmente filmado na região de Xinjiang e pelo fato de a atriz protagonista ter apoiado a polícia de Hong Kong.

O ativista pró-democracia de Hong Kong Joshua Wong e usuários da internet em Taiwan e na Tailândia estão entre os que promoveram as hashtags #BoycottMulan e #BanMulan no Twitter, após o lançamento do filme neste mês na plataforma de streaming da Disney.

O longa também será exibido nos cinemas da China, um mercado cada vez mais importante para os estúdios de Hollywood, a partir de 11 de setembro.

As críticas ao remake live-action de uma animação de 1998 começaram no ano passado, quando a estrela de Mulan, a atriz chinesa Liu Yifei, expressou apoio nas redes sociais à polícia de Hong Kong, que estava em foco na época devido a protestos antigovernamentais.

Liu não respondeu imediatamente a um pedido de comentário por meio de sua conta no Weibo, um popular site chinês.

Os apelos para que as pessoas boicotem o filme aumentaram nesta semana por ligações à região ocidental de Xinjiang, onde a repressão da China aos uigures étnicos e outros muçulmanos foi criticada por alguns governos, incluindo os Estados Unidos, e grupos de direitos humanos.

Várias organizações estatais em Xinjiang apareceram nos créditos do filme, de acordo com postagens nas redes sociais.

“No novo #Mulan, a @Disney agradece ao escritório de segurança pública em Turpan, que está envolvido nos campos de internação no Turquestão Oriental”, tuitou o Congresso Mundial Uigur, com sede em Munique.

Questionado sobre a reação à filmagem em Xinjiang, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Zhao Lijian, reiterou a negação de Pequim sobre existência de campos de reeducação na região, chamando as instalações de instituições vocacionais e educacionais, além de acusar as forças anti-China de difamarem sua política em Xinjiang.

O ativista Wong acusou a Disney de “reverenciar” a China, citando o apoio de Liu e outro ator à polícia de Hong Kong e os créditos do filme, que mencionam organizações estatais em Xinjiang.

“Pedimos às pessoas ao redor do mundo que boicotem o novo filme Mulan”, disse ele à Reuters nesta terça-feira.

A Disney não respondeu imediatamente a um pedido por comentário.

Por Brenda Goh, em Xangai; Chayut Setboonsarng, em Bangcoc; Yoyo Chow, Aleksander Solum e Marius Zaharia, em Hong Kong; Chen Lin, em Cingapura; Heekyong Yang, em Seul; Phuong Nguyen, em Hanói; Ben Blanchard, em Taipé; Cate Cadell, em Pequim; e Redação Xangai

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