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Movimento 'Libertem Polanski' reúne intelectuais na Europa

Políticos e intelectuais reprovam atitude do governo suíço; cineasta foi preso por crime sexual de 1977

Andrei Netto, correspondente em Paris,

28 de setembro de 2009 | 17h31

Intelectuais de toda a Europa mobilizaram-se nesta segunda, 28, em uma campanha pela liberdade do cineasta franco-polonês Roman Polanski, detido na noite de sábado no aeroporto de Zurique, na Suíça, a pedido da Justiça dos Estados Unidos. Manifestos com o slogan "Libertem Polanski" foram organizados na França e na Suíça contra a extradição do diretor, preso por um crime sexual cometido em 1977.

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Dois abaixo-assinados foram lançados por artistas de diversas áreas hoje, em Paris e Berna, pedindo a liberdade para o cineasta. O manifesto já tem o apoio de grandes nomes do cinema, como Costa-Gravas, Wong Kar-Wal, Ettore Scola, Guiseppe Tornatore, Gilles Jacob e Bertrand Tavanier, entre outros. As críticas mais duras são direcionadas à ação da polícia, que se aproveitou de uma homenagem ao cineasta, feita pelos organizadores do Festival de Zurique, para prendê-lo. "Parece inadmissível que uma manifestação cultural internacional, que homenageava um dos maiores cineastas contemporâneos, possa ser transformada em armadilha policial", afirmam os intelectuais. 

 

O movimento tem o apoio oficial dos governos da França e da Polônia, que lançaram um apelo comum pela liberdade do cineasta. Hoje, os ministros das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, e da Polônia, Radoslaw Sikorski, informaram ter escrito à secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, pedindo a interferência da Casa Branca. Além de agir por vias diplomáticas, Kouchner também expressou sua inconformidade à imprensa. "O cinema suíço convida Roman Polanski e sabe que ele comparecerá. Essa é uma história um tanto sinistra", definiu Kouchner, reprovando o mau uso da Justiça internacional.

 

A incredulidade com a prisão de Polanski é ainda maior na Europa porque o cineasta frequenta a Suíça pelo menos desde 1978, afirmou seu advogado, Hervé Temine. O diretor de O Bebê de Rosemary e O Pianista tem até um chalé na cidade de Gstaad, próximo a Berna. "Não esperávamos de forma alguma esta prisão, à medida que Roman vai regularmente à Suíça há muitos anos", argumentou Temine.

 

A revelação de que o cineasta tem uma propriedade no país levou a imprensa suíça a ridicularizar a conselheira Federal de Justiça, Eveline Wildner-Shlumpf. Ela havia afirmado no domingo que a polícia "não tinha outra alternativa" a não ser prender Polanski. O diário Le Matin levantou suspeitas de que o cineasta esteja sendo entregue aos EUA em sinal de boa vontade aos norte-americanos. A Casa Branca pressiona pelo fim do sigilo bancário na Suíça e exige que o banco UBS, o maior do país, divulgue o nome de 4,4 mil de seus clientes, suspeitos de fraude fiscal.

 

Polanski, 76 anos, foi detido porque tem contra si um mandado de prisão emitido em 1977 pela Justiça do condado de Los Angeles por "relação sexual criminosa" com uma jovem de 13 anos. Pelo episódio, ele chegou a ser preso por 42 dias nos anos 70, nos EUA. A vítima da relação, Samantha Geimer, não sustenta queixas contra o diretor e pede a extinção do processo.

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