Gui Maia
Gui Maia

'Motorrad' e filme de espionagem de Jennifer Lawrence estão entre as estreias da semana

Confira os filmes que entram em cartaz nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 1º

O Estado de S.Paulo

01 Março 2018 | 06h01

‘Motorrad’ joga motos em paisagem infernal

Motorrad 

(Brasil, 2017, 92 min.)Dir. de Vicente Amorim, com Guilherme Prates, Carla Salle, Emílio Dantas, Juliana Lohmann, Pablo Sanábio

Luiz Carlos Merten - Como todo diretor, Vicente Amorim vive o que se chama de TPL, tensão pré-lançamento de seu novo longa, Motorrad, que estreia nesta quinta, 1.º, em salas de todo o Brasil. Mas ele admite que sua posição está um pouco mais confortável. Desde que Motorrad foi selecionado para a mostra principal de Toronto, no ano passado, ocorreu o que ele nunca experimentara antes. “O filme foi vendido para mais de uma dezena de países e mercados importantes, como China, Japão. Sempre quis fazer um filme de gênero, mas não imaginava que poderia ter essa repercussão.”

Triplamente de gênero – um filme de estrada, de moto e de terror. Uau! A proposta partiu do produtor L.G. Tubaldini Jr, que convidou Danilo Beyruth, um raro desenhista brasileiro a trabalhar em comics dos EUA, para ajudar a formatar o conceito. Como diretor, Amorim, deu seu aporte. “Não sei trabalhar de outro jeito. Ou consigo colocar minha marca ou não entro no projeto. Como todos os meus filmes, Motorrad é uma história de iniciação e de afirmação da identidade.”

Pense em Caminho das Nuvens, Corações Sujos, no próprio Irmã Dulce. Um garoto sonha integrar a gangue de motoqueiros do irmão mais velho. Cai na estrada atrás do grupo. Surge esse muro misterioso, que, transposto, será como um portal para outra dimensão. A vasta paisagem – um paraíso? – revela seu lado infernal.

Há outro grupo de motoqueiros. Misteriosos, sem face. Parecem aliens. Iniciam uma matança. Quem são esses caras? Não é mera coincidência que Guilherme Prates, Carla Salle e Emílio Dantas, o elenco de Amorim, monte nas motos seguindo o exemplo de Cauã Reymond em dois filmes sucessivos, Reza a Lenda e Não Devore Meu Coração. A própria paisagem, captada pela câmera de Fernando Habda, vira personagem. A fisicalidade leva ao erotismo. “Não podia haver vacilo. Homens e mulheres têm de ser desejáveis para o público. Só assim a ameaça do terror se torna verdadeira, e funciona”, avalia o diretor.

Nem a bela Jennifer salva ‘Operação Red Sparrow’

Operação Red Sparrow / Red Sparrow 

(EUA, 2018, 141 min.)Dir. de Francis Lawrence, com Jennifer Lawrence, Joel Edgerton.

Jennifer Lawrence tem se destacado tanto em defesa de um lugar da fala das mulheres na produção de Hollywood que ninguém mais estranha ver a vencedora do Oscar e detentora de um dos maiores salários da indústria reclamar da vida. Chegou a hora de nós, o público, reclamarmos também. Em nome da credibilidade, ‘Jen’ poderia escolher seus papéis com um pouquinho mais de discernimento.

Na linha ‘ação e espionagem pós-guerra fria’, Operação Red Sparrow é sobre bailarina russa cooptada a integrar um programa secreto em que mulheres são treinadas para seduzir, e matar. Mesmo com tudo o que a oposição diz de ruim da Rússia sob Vladimir Putin, os russos desse filme são monstruosos, a ação é lenta e, se você tinha alguma expectativa de ver a bela Jennifer num papel tipo a Atômica de Charlize Theron, bem, pode ir desistindo.

+++ Tudo sobre Jennifer Lawrence 

Mas tem nu frontal da estrela, o que tem gerado polêmica entre feministas que a acusam de fazer o jogo do objeto de desejo masculino. Jeremy Irons e Charlotte Rampling têm talento demais para seus pequenos papéis. / L.C.M.

Helen Mirren, vítima da maldição das almas (e armas)

A Maldição da Casa Winchester / Winchester 

(EUA/Austrália, 2018, 100 min.)Dir. de Michael Spierig, Peter Spierig, com Helen Mirren, Jason Clarke.

Depois do Oscar, que recebeu por A Rainha, Helen Mirren virou uma estrela rentável para Hollywood. Não cobra exageradamente, faz bem qualquer tipo de papel. Humor, espionagem, ação, Helen tem feito de tudo. Faltava o terror. Você leu direito – faltava. A Maldição da Casa Winchester, dos irmãos Michael e Peter Spierig, destaca-se da pasmaceira da produção de gênero de Hollywood por se basear numa história supostamente real.

Helen faz a herdeira de uma empresa de armas de fogo. O império paterno era tão grande que o levou a construir uma casa imensa, com quartos suficientes para abrigar um batalhão. A Mansão Winchester existe e reza a lenda que passou a ser habitada pelas almas das vítimas das armas de fogo que fizeram a fortuna familiar. Na ficção, Helen fica meio doida após as mortes do marido e do filho. Surge um psiquiatra, interpretado por Jason Clarke, para avaliar o estado dela. Além da possível qualidade da interpretação, o filme tem o timing certo. Após a nova chacina na Flórida, o controle de armas divide, de novo, a América. / L.C.M.

O ladrão de livros e os receptadores anônimos 

Cartas para um Ladrão de Livros 

(Brasil, 2018, 94 min.)Direção de Carlos Juliano Barros e Caio Cavechini.

Luiz Zanin Oricchio - Em Cartas para um Ladrão de Livros, os diretores Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros lidam com o desafio de um personagem sedutor. Laéssio Rodrigues de Oliveira, considerado pela polícia o maior ladrão de obras raras do País, começou a atividade para alimentar uma coleção de fotos e revistas sobre Carmem Miranda. Logo descobriu que podia alçar outros voos e começou a dar desfalques nos em geral descuidados acervos históricos do País. 

O próprio Laéssio se incumbe de fornecer contrapontos ao espectador. Egocêntrico e vaidoso demais, suas noções sobre o patrimônio público, como algo a ser expropriado para que outras mãos o tratem melhor, são deploráveis. 

O mais interessante é que tudo se revela, menos a identidade dos receptadores das obras furtadas por Laéssio. Provavelmente grandes nomes da indústria e das finanças, que adoram colecionar livros e objetos de arte, permanecem ao abrigo da polícia, da Justiça e da indiscrição pública. E do próprio filme. Assim é o Brasil. 

Luta pela preservação da terra indígena

Piripkura 

(Brasil, 2017, 82 min.) Direção de Bruno Jorge, Mariana Oliva e Renata Terra.

Dois indígenas nômades, do povo Piripkura, sobrevivem cercados por fazendas e madeireiros numa área protegida na floresta amazônica. Jair Candor, da Funai, que os acompanha, realiza expedições para impedir a invasão da área.

Garota muda de casa e faz amizade inusitada 

Duda e os Gnomos / Gnome Alone 

(Brasil, 2017, 85 min.) Direção de Peter Lepeniotis.

Duda e sua mãe estão de mudança para a antiga casa da tia Silvia. O lugar tem muitos gnomos. Duda percebe que coisas ainda mais esquisitas estão acontecendo na casa e que, na verdade, elas podem não estar sozinhas. 

Formas de superar o fim de uma relação

Todas as Razões para Esquecer 

(Brasil, 2017, 91 min.) Direção de Pedro Coutinho, com Johnny Massaro, Bianca Comparato, Regina Braga.

Antônio passa a boicotar os próprios sentimentos para se libertar da lembrança da ex-namorada, Sofia, usando todos os tipos de medidas paliativas, como remédios tarja preta e Tinder, que o levam a passar por situações tragicômicas. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.