Mostra traz maldito do cinema alemão

A obra do cineasta alemão Herbert Achternbusch sempre provocou reações distintas entre seus pares. Para Rainer Werner Fassbinder, por exemplo, era indiferente. "Encontrei-o uma ou duas vezes, não é alguém com quem eu pudesse manter uma relação muito pessoal. Do exterior, sua arte pode a rigor ser interessante, mas não do interior", disse, certa vez, em uma entrevista. Já para Werner Herzog, com quem Achternbusch trabalhou no roteiro do filme Coração de Cristal, aquele "era o melhor roteiro que já li".O peso de cada opinião poderá ser medido a partir desta terça-feira, quando começa a mostra Herbert Achternbusch: Poeta Maldito do Cinema Alemão, no Centro Cultural Banco do Brasil. São seis filmes que serão exibidos até domingo, a partir das 14 horas. Uma oportunidade rara para se conhecer o trabalho de um cineasta hermético, cuja obra é marcada principalmente por um conflito: apesar de valorizar os costumes da região onde nasceu e ainda vive (a Bavária), Achternbusch é virulento ao criticar esses mesmos costumes de uma forma obsessiva. Essa aparente incompatibilidade encantou uma das principais críticas e estudiosas do cinema alemão, Lotte Eisner, que o chamou de "Artaud bávaro."A mostra começa com a exibição de Salve, Hitler!, sobre a loucura do soldado Herbert, que, no início do filme, está nos jardins reais de Munique, onde existe um monumento que anuncia a ressurreição dos soldados mortos. Ele pensa que está em Stalingrado, pois, em sua opinião, depois de destruída pelos alemães vitoriosos, a cidade foi reconstruída à imagem de Munique.A mistura de realidade e sonhos marca também o filme que será exibido em seguida, A Campeã Olímpica: no momento em que Adi está flertando com a garçonete Gabi, surge um menino, que surpreende ao dizer ao rapaz: "Você será meu pai." A mãe, ainda segundo o garoto, será uma esportista de um clube bávaro, que está interessada, na verdade, é ganhar uma medalha de ouro em uma Olimpíada.Artista que transita também pelo teatro, artes plásticas e literatura, Achternbusch tornou-se famoso por não fazer concessões aos padrões comerciais de produção nem ao conceito formal de realismo. Mesmo trabalhando à margem dos grandes estúdios e da televisão, o cineasta já realizou 27 longas.Mesmo com o clima de loucura coletiva e histórias que aparentemente não têm fim, característica de alguns de seus filmes, Achternbusch despertou a admiração de críticos alemães, como Hans-Günther Pflaum, que escreveu: "Enquanto alguns companheiros optaram pela segurança que lhes proporciona alguma emissora de televisão privada ou um cargo de diretor da Ópera, Achternbusch mantém-se firme."A mostra exibirá ainda A Sensação de Andechs, A Guerra da Cerveja, O Último Buraco e Eu Sei o Caminho para Hofbrauhaus.Serviço - Herbert Achternbusch: Poeta Maldito do Cinema Alemão. De terça a domingo, com sessões entre 14 e 18 horas. R$ 4 00. Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Álvares Azevedo, 112, 1.º andar, tel. 3113-3651. Até 7/10

Agencia Estado,

01 de outubro de 2001 | 17h49

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