Mostra reúne expoentes do cinema japonês

A exibição de Era Uma Vez em Tóquio, de Yasujiro Ozu, nesta segunda à noite no Cinesesc, surge como um delicado aperitivo para a mostra que começa terça-feira, no Centro Cultural São Paulo (CCSP), com entrada franca. O Japão de Mizoguchi e Ozu vai ocupar a Sala Lima Barreto até o dia 17, apresentando filmes de dois expoentes da cinematografia japonesa. Kenji Mizoguchi (1898-1956) é um dos diretores de seu país mais conhecidos no Ocidente. Ao iniciar a carreira em 1922, fez só naquela década, 43 filmes mudos, totalizando mais de 80 trabalhos de qualidade. Suas obras tratam de questões sociais como a pobreza e o conflito de classes. Na maioria de suas produções, Mizoguchi utilizava temas nos quais predominavam o sacrifício, voluntário ou não, da mulher, que se dedicava ao sucesso do homem ou em benefício da família.A mostra do Centro Cultural permite (re)ver suas últimas produções nos estúdios Daiei, como Contos da Lua Vaga depois da Chuva, A Vida de uma Cortesã, Os Amantes Sacrificados, O Intendente Sansho. O melodrama de suas histórias, o exotismo, a força reivindicativa de seus personagens femininos e seus complexos planos-seqüência o tornaram clássico.Yasujiro Ozu (1903-1963), por outro lado, registra com sutileza as banalidades do cotidiano. Seu interesse pelo cinema começa cedo, trabalhando ainda jovem nos estúdios Shochiku, no qual, futuramente, produzirá quase todos seus filmes. As obras de Ozu caracterizavam-se pelo retrato da vida de famílias da classe média do Japão. Durante seus 30 anos de carreira, ficou conhecido como o mais japonês dos diretores.Seu desprezo pela tecnologia era tamanho que apenas em 1958 rodou seu primeiro filme em cores, A Flor de Higabana. Gostou do resultado e adotou o colorido nas produções seguintes.Assim, seus personagens continuam enfrentando os mesmo problemas familiares com o casamento, aposentadoria e solidão, mas seus desapontamentos com a vida recebem um refinado tempero, com mais senso de humor.As obras de Ozu seguem um esquema rígido: câmera baixa, fixa, entrecho rarefeito, atenção às banalidades da vida. É um cineasta que fala do cotidiano, do pequeno, das preocupações mesquinhas. Pode ser compreendido por todos e em qualquer parte do mundo. Os filmes que serão exibidos pela mostra são "Pai e Filha, Filho Único, A Rotina Tem Seu Encanto e Fim de Verão", em que trata pela primeira vez a temática da morte. O Japão de Mizoguchi e Ozu - De terça a domingo, às 15, 18 e 20 horas. Grátis. Centro Cultural São Paulo - Sala Lima Barreto. Rua Vergueiro, 1.000, tel. 3277-3611. Até 17/12.

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