Frank Sinatra. Foto: Bill Dudas/MPTV
Frank Sinatra. Foto: Bill Dudas/MPTV

Mostra no Rio celebra a obra de Frank Sinatra no cinema

MAM Rio recebe filmes e debates sobre a faceta hollywoodiana do artista norte-americano

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

21 Agosto 2015 | 13h17

Conta a lenda que a história que abre O Poderoso Chefão é real. O cantor Johnny vai pedir ajuda ao 'padrinho', porque tem um produtror que está atravancando sua carreira. E chora. Marlon Brando lhe diz que pare de agir como mulherzinha, que pare de chorar e vá lá cantar no casamento de sua filha que ele se ocupa do caso. O produtor acorda de noite ensaguentado e descobre, com horror, entre os lençois, a cabeça de seu cavalo puro-sangue. O caso teria ocorrido com Frank Sinatra. No começo dos anos 1950, já famoso como cantor, a carreira de ator não decolava em Hollywood. De ascendência italiana, Francis Albert teria recorrido aos amigos mafiosos. Em 1953, ganhou o Oscar de coadjuvante pelo papel em A Um Passo da Eternidade, de Fred Zinnemann. E virou o mito que todo mundo sabe.

Cantor, ator. The Voice, Blue Eyes. Os apelidos são todos conhecidos. Francis Albert Sinatra, ou Frank Sinatra, começou como cronista esportivo, na rádio. Virou cantor/crooner nas orquestras de Harry James e Tommy Dorsey. Estreou em Hollywood em 1941 e logo estava sendo considerado rival de Bing Crosby. Mas não foi longe e, após a guerra, percebeu que precisava se reinventar. Desenvolveu um estilo mais 'cool' de cantar, investiu na carreira de ator dramática. Patinou um pouco, a coisa parece que não ia. Mas aí o Oscar mudou tudo. Sinatra, apesar das supostas ligações com a Máfia, começou a estrelar filmes importantes, formou uma confraria de amigos (Dean Martin, Sammy Davis Jr., Peter Lawford), frequentou presidentes (John Kennedy).

Tornou-se porta-voz de liberais e progressistas, a ponto de certa vez ter brigado a socos com o lendário John Wayne em defesa de um roteirista que havia entrado para a lista negra do macarthismo. No MAM, o Museu de Arte Moderna, do Rio, uma programação especial está lembrando o centenário de Sinatra. Bem poderia vir para São Paulo. Sinatra nasceu em 12 de dezembro de 1915, morreu em 14 de março de 1998, aos 82 anos. A homenagem do MAM começou dia 18 e segue até 6 de setembro. Exibe 30 filmes, mais exposição. Além de pequenas estátuas do astro, fotos autografadas, cartas e pôsteres, terá uma verdadeira relíquia - cópias, no plural, do ingresso do show que Sinatra fez no Maracanã, em janeiro de 1980, e que foi recorde na época. Cerca de 170 mil fãs pagaram para ver 'Olhos Azuis' cantar na terra de Tom Jobim, que foi um de seus compositores e arranjadores.

Os filmes incluem A Um Passo da Eternidade, claro, O Homem do Braço de Ouro, de Otto Preminger, com Sinatra no papel de viciado e ele quase ganhou o Oscar de protagonista de 1955 - perdeu para o Ernest Borgnine de Marty -, Meu Ofício É Matar, de Lewis Allen, famoso como o filme que antecipou o assassinato de John Kennedy, e Sob o Domínio do Mal, notável thriller político de John Frankenheimer. Tendo sido Sinatra o grande cantor e entertainer que foi, a programação privilegia os musicais - A Bela Ditadora, Corações Enamorados, Marujos do Amor, Um Dia em Nova York, Eles e Elas, Alta Sociedade, Meus Dois Carinhos, Can-Can.

O público poderá rever o original (de Lewis Milestone) que originou a série de Steven Soderbergh - Onze Homens e Um Segredo. Também os westerns - Três Sargentos, de John Sturges, que transpõe o clássico Gunga Din (de George Stevens) para o Velho Oeste, e Quatro Heróis do Texas, de Robert Aldrich. Um destaque muito especial vai para a parceria de Sinatra com o diretor Gordon Douglas nos anos 1960, em três policiais que marcaram época - Tony Rome, A Mulher de Pedra e Crime sem Perdão, em que ele faz policial que descobre a corrupção dos colegas e promove um pioneiro Lava-Jato.

O mito de Sinatra ultrapassou as fronteiras dos EUA. Um debate no dia 28, após a exibição de Pal Joey/Meus Dois Carinhos, de George Sidney, em que ele se divide entre Rita Hayworth e Kim Novak, vai tentar dar conta da persona multifacetada de Frank Sinatra. E, sim, o evento lembra os tributos brasileiros ao grande artista. Houve um Sinatra brasileiro, Dick Farney, e na obra-prima de Eduardo Coutinho, Edifício Master, um momento inesquecível, genial, é quando o cara canta, a capella, My Way. O próprio Sinatra teria se emocionado.

TRAILER

A Um Passo da Eternidade (1953)

FRANK SINATRA - A VOZ NO CINEMA

MAM Rio. Avenida Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo, Glória, Rio de Janeiro (RJ). (21) 2240-4944. De 18/08 a 06/09.

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