ZETA FILMS
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Mostra Mundo Árabe quer estreitar ligações com o Brasil

Evento que começa nesta quarta com ‘Wajib’, no Cinesesc, busca ampliar a informação sobre culturas da região

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2018 | 06h00

Mal termina a 8 1/2 Festa do Cinema – nesta quarta, 8 – e já começa a 13.ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, que coexiste, nas telas da cidade, com o 12.º Festival de Cinema Judaico. Pelo menos em São Paulo, capital da diversidade, povos e culturas em litígio no Oriente Médio conseguem mostrar sua cara através do cinema. Existem filmes e locais de exibição para todos. Até dia 27, a Mostra Mundo Árabe exibirá 23 filmes que retratam a realidade política, social e cultural de países árabes, bem como filmes brasileiros e latino-americanos com temática relacionada à cultura e à imigração árabes.

A edição de 2018 contempla os eixos temáticos e sessões permanentes – Panorama Mundo Árabe, Sessão Diálogos Árabe-Latinos, Panorama Cinema Palestino, e Panorama Franco-Árabe. O filme de abertura, às 20h30 desta quarta, no Cinesesc, é a produção palestina Wajib – Um Convite de Casamento, de Annemarie Jacyr. (O outro local de exibição é o CCBB.) Wajib conta a história de viúvo cuja filha está para se casar, e ele vai viver sozinho. O filho arquiteto mora em Roma e retorna só para ajudar o pai a distribuir os convites, como reza a tradição. Nesse único dia juntos, estouram os conflitos – e a diretora faz uma sutil radiografia do choque entre tradição e modernidade.

É intenção dos organizadores salientar o reconhecimento cultural entre Brasil, América Latina e Mundo Árabe, criando um enlace de culturas, trajetórias e histórias. “São filmes que retratam as relações sociais e culturais no mundo árabe, que têm um olhar humanista, que falam de dramas humanos que nos são comuns e que rompem com estereótipos e simplificações”, avalia Natalia Calfat, diretora de Relações Nacionais do ICArabe, que integra o grupo organizador da Mostra.

Entre os convidados especiais estão o brasileiro Omar Barros Filho, de A Palestina Brasileira; os argentinos Fernando Romanazzo e Cristian Pirovano, de Yallah! Yallah!, e o alemão de família tunisiana Atef Ben Bouzid, de Cairo Jazzman – O Ritmo de Uma Megacidade. O filme da dupla argentina retrata a paixão dos palestinos pelo futebol e as dificuldades que a ocupação israelense impõe à prática do esporte.

Omar de Barros Filho, que seus amigos jornalistas conhecem como Matico, foi um dos fundadores – com Marcos Faerman – do jornal alternativo Versus. Gaúcho, ele se surpreendeu ao descobrir que o Rio Grande tem a maior comunidade palestina do Brasil. Filmou algumas famílias e seus parentes no Oriente Médio, que vivem sob regime militar. A Palestina Brasileira revela um outro olhar sobre o Oriente Médio.

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