Mostra exibe três filmes de baixíssimo orçamento

Três filmes (Samba Canção,Cama de Gato e Ramiro Miguez) programados pela Mostrachamam atenção por suas histórias de produção. O primeiro - domineiro Rafael Conde - foi produzido com US$ 100 mil. "Odinheiro ia diminuindo a cada dia", conta o realizador dodelicioso curta A Hora Vagabunda e do tocante Françoise(com Debora Falabella).As filmagens de Samba-Canção foram realizadas emjaneiro de 2000, portanto há 34 meses. O processo de finalizacãoconsumiu mais de dois anos. "Foi muito trabalhoso", contaConde, "mas divertido, pois a equipe estava afinadíssima.Divido com ela todos os méritos. Filmamos em 35 e 16 mm, emsuper-8 e vídeo. Depois, todo o material foi transposto para35mm." No elenco, atores mineiros, pouco conhecidos, e oveterano Rogério Cardoso. Conde espera que o bom humor da equipemagnetize a tela e bata na alma dos espectadores. E avisa:"Ainda não tenho distribuidor." Enquanto isso, o filme, queparticipou do segmento Midnigth Movie, do Festival do Rio, "fazcircuito nos festivais".Cama de Gato, do paulistano Alexandre Stockler,também custou pouco (US$ 50 mil, se tanto). Filmado com a cara ea coragem (do diretor e do elenco, liderado por Caio Blat), olonga foi feito em digital. E neste formato seguiu para oFestival de Mar del Plata/2001. Impedido de concorrer, por nãoestar no suporte regulamentar (película 35 mm), o filmecontinuou inédito. Há dois meses (já em película) foi aoFestival de Montreal. Agora, prepara-se para sua pré-estréiapaulistana.Vida e Obra de Ramiro Miguez é o segundo longa deAlvarina de Souza, nome freqüente nos créditos técnicos demuitos filmes cariocas. Onze anos atrás, ela participou deGramado com um longa (O Filme da Minha Vida, depoisrebatizado Obra do Destino) de estilo quase trash, tantaseram suas dificuldades de produção (todas batiam na tela). Nomomento mais divertido do filme, Maria Zilda interpretava LucyBarreto, já que a goiana Alvarina foi empregada doméstica domais poderoso clã cinematográfico do país (o Barreto).Pois agora ela volta com Vida e Obra de RamiroMiguez. No elenco, Rogério Fróes, Suzana Faíni, SandraBarsotti, Guilherme Karan, Tuca Andrada e Paulo Vespúcio. "Essefilme", conta a diretora, "teve sua primeira cena rodada emSuper-8, em férias em Portugal e Espanha/l998. No ano seguinte,filmei em Paris, sempre aproveitando viagens particulares. Aindaem 99, com economias pessoais, resolvi filmar partes em vídeo.Ganhei apoio do projeto Mais Cinema e penhorei o único bem quemeu pai me deixou: uma pequena casa. Rodei a parte em 35 mm.Parte dos cenários foi construída num galpão onde eu produziraQuem Matou Pixote? (Joffily/96) e a outra parte no Edifíciodo MEC. Consegui patrocínio da Refinaria de Manguinhos."Resumindo: "O filme custou US$ 130 mil, pois atores amigos meajudaram e a equipe técnica se resumiu a 13 pessoas." Naverdade, admite a realizadora, "meu filme não passa de um curtalongo".

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