Mostra exibe <i>Antonia</i>, o rap da periferia

Não são raras as vezes em quemoradores de São Paulo têm de explicar a quem nunca esteve nacapital paulista que a cidade não se resume a clichês como a tãoapregoada ?selva de pedra?. A metrópole é feia e inóspita a umaprimeira mirada. Mas, bairrismos à parte, revela-se apaixonanteà medida que se convive com ela. São Paulo guarda em sua imensaperiferia, uma vida comunitária que pulsa, apesar da violência,da falta de acesso à cultura, a boas escolas, ao transporte, aolazer. É esta São Paulo, a mãe ossuda que abriga em seus braçosfilhos criativos que criam em seus subúrbios movimentosimportantes como o hip-hop e o rap, que a diretora Tata Amaralretrata em Antonia, seu terceiro longa-metragem. O filme,rodado na Brasilândia (subúrbio da zona norte paulistana), narraa saga de quatro garotas negras (Preta, Barbarah, Mayah e Lena)que cortam um dobrado para ganharem a vida fazendo o que maisgostam: cantar e dançar. Mas elas têm a ousadia de fundar nãouma típica banda pop de garotas bonitinhas, mas ordinárias. Elasquerem viver do rap. E, além dos problemas como a falta dedinheiro, de perspectiva, têm de encarar o machismo arraigado dasociedade brasileira. Machismo que provoca o assassinato sumário dehomossexuais na periferia, que provoca violência e dominação damulher, que provoca cantadas grosseiras quando o Antonia, ogrupo fundado pelas quatro garotas, se apresenta pela primeiravez na própria comunidade. Antonia é mais que uma ficção. Acâmera precisa do diretor de fotografia. Jacob Solitrenickacompanha as garotas como um observador atento, em cenas quasedocumentais, que revelam, como poucos, a verdadeirapersonalidade de uma metrópole que, apesar de tudo, não perdesua humanidade. Antonia (2006, 90 min.) - Cine Bombril 1. Av. Paulista, 2.073,Conjunto Nacional, (11) 3285-3696. Quinta-feira, às 21h20

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