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Mostra Escola de Berlim apresenta a nova cara da Alemanha

Evento traz títulos inéditos como 'Marselha', exibido na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2013 | 20h22

Após a Bienal do Livro do Rio, que colocou o foco na Alemanha – e a Bienal de Frankfurt, inversamente, vai homenagear o Brasil, em outubro –, o Festival do Rio, que começa dentro de duas semanas, também coloca o foco na cinematografia alemã. A lista de eventos especiais inclui uma mostra chamada Escola de Berlim, que os paulistas vão ver antes. Começa nesta quarta (11) no Centro Cultural Banco do Brasil o evento que traz uma seleção de filmes representativos da nova fase do cinema autoral da terra da chanceler Angela Merkel.

O termo ‘escola de Berlim’ não se refere propriamente a uma escola de cinema, mas a um conceito estético que vem definindo o cinema da Alemanha dos últimos 20 anos. Esse novíssimo cinema alemão será agora debatido na mostra que o CCBB realiza em parceria com o Instituto Goethe. Além dos filmes, serão realizados debates – e convidados como o diretor Henner Winkler e o curador Thomas Arslan passarão por São Paulo, só depois indo ao Rio, onde o CCBB abrigará a mesma mostra a partir do dia 27, já dentro do festival carioca. São 19 longas produzidos entre 1990 e 2013. Boa parte é completamente inédita no País, incluindo Marselha, de Angela Schalenec, exibido na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes, e Ouro, de Thomas Arslan, que participou da mostra competitiva do Festival de Berlim, em fevereiro. Quem assistir a pelo menos cinco títulos do programa ganhará, gratuitamente, o livro catálogo com textos inéditos.

Um dos primeiros a perceber o fenômeno que seria conceituado como Escola de Berlim, o crítico Georg Seesslen escreveu no jornal Die Tageszeitum sobre o aparente paradoxo – “Você vê algo que se vê diariamente e percebe, no mesmo instante, que nunca viu antes.” Vale contextualizar – nos anos 1990, o cinema alemão era dominado por comédias leves, coproduzidas pela TV privada. Contra isso se insurgiu um grupo de jovens cineastas de Berlim. Christian Petzold e Thomas Arslan, entre outros, mudaram o foco e passaram a fazer filmes que retratavam a suposta banalidade do cotidiano. Só que trataram o banal num estilo hiperrealista, no qual embutiram questões relevantes – existenciais, filosóficas, políticas.

A Escola de Berlim ampliou-se e hoje abriga autores de outras cidades, como Munique, sem que fale, por isso, de uma Escola de Munique. O importante é que todos esses filmes retratam uma Alemanha como você não costuma ver na tela. Seus diretores possuem base teórica e Christian Petzold, Benjamin Heisenberg e Christoph Hochhäusler editam duas vezes por ano uma revista sugestivamente chamada Revólver, com a qual disparam textos irados contra o establishment sócio/econômico e as tendências estéticas vigentes. E tudo começou nos anos 1970, quando o pioneiro Haroun Farocki fazia seus filmes no meio operário. Foi o mestre de Petzold e até hoje é roteirista de seus filmes. Uma das atrações da mostra, veja no quadro, é um filme dele.

ATRAÇÕES

‘Caminho do Bosque’

De Christoph Hochhäusler, parábola familiar sobre crianças abandonadas pela madrasta

‘Viver na RDA’

De Haroun Farocki, documentário sobre o fim do comunismo

‘A Doença do Sono’

De Ulrich Köhler, sobre a atração europeia pela África primitiva

‘Nas Sombras’

De Thomas Arslan, sobre ex-presidiário que tenta golpe

‘Yella’

De Christian Petzold, pelo qual Nina Hoss foi a melhor atriz em Berlim, 2007

MOSTRA ESCOLA DE BERLIM

Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Álvares Penteado, 112, metrô São Bento, 3113-3651. R$ 4 (sessões em DVD, grátis). De 11 a 28/9. Programação completa: www.bb.com.br/cultura

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