CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL
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Mostra é oportunidade para curtir a obra do diretor polonês Jerzy Skolimowski

Exibições prosseguem até dia 12 de junho no CCBB; são 19 filmes do cineasta, a maior parte inédita no Brasil

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

28 Maio 2017 | 03h00

Está em cartaz no CCBB a mostra O Cinema de Jerzy Skolimowski, um dos diretores mais notáveis da chamada “nouvelle vague” polonesa e em atividade até hoje. A retrospectiva, que vai até 12 de junho, programou 19 filmes do diretor, a maior parte deles inédita no Brasil. 

Algumas atrações: A Partida (1967), vencedor do Urso de Ouro em Berlim, e O Grito (1978), agraciado com o Prêmio Especial do Júri em Cannes. Mas há também Classe Operária (1982), que faturou o troféu de melhor roteiro em Cannes e O Sucesso É a Melhor Vingança (1984), que disputou a Palma de Ouro no festival francês. 

Skolimowski, nascido em 1938, é uma personalidade singular. Pintor, poeta, cineasta e ator, praticou também o boxe, tema de um dos seus curtas-metragens, em 1961. Trabalhou com Andrzej Wajda e Roman Polanski, outros dois nomes superlativos do cinema polonês. Antes de dirigir seus próprios filmes, Skolimowski colaborou no roteiro de A Faca n’Água, um dos grandes filmes do período polonês de Polanski. 

Com Mãos ao Alto (1967) e sua crítica ao stalinismo, Skolimowski enfrentou problemas com a censura e teve de deixar seu país. Sua carreira acomodou-se bem ao Ocidente e foi na Inglaterra que rodou Deep End (1970), tido como sua obra-prima. Pouco visto em seu lançamento, foi recentemente restaurado e relançado na Europa. 

Em 1991, Skolimowski decide parar de filmar. Só volta a dirigir em 2008 com Quatro Noites com Anna, uma pouco convencional história de amor. 

Em 2012, apresenta no Festival de Veneza Essential Killing e fatura dois troféus, o Prêmio do Júri e o de melhor ator, para Vincent Gallo. A história é intensa. Gallo faz o prisioneiro afegão, que escapa de um campo de concentração do exército americano e, em fuga e faminto, atravessa uma implacável paisagem de inverno. O filme se reduz aos seus elementos essenciais, quase sem diálogos. O ator (e diretor) americano Vincent Gallo tem atuação primorosa, longe dos seus costumeiros personagens blasés, com cara de mau. Aqui, ele é sofrimento puro, submetido apenas à dura necessidade de sobreviver. O paroxismo chega quando ele ataca uma mulher em situação inusitada. Seco e despojado. 

Pouco divulgado por aqui, Skolimowski faz um cinema de intensidade, autoral e resistente a comparações. Vale a pena ser conhecido e as ocasiões para isso são raras. 

Ainda é tempo de conhecer o novo cinema mexicano

A Mostra Cinema Mexicano Contemporâneo termina quarta, dia 31, no Caixa Belas Artes, mas ainda há tempo para ver alguns bons filmes. Na segunda, 29, passa um dos melhores da safra, Carmim Tropical (16h), de Rigoberto Perezcano, história de Mabel, que volta à sua cidade natal para descobrir o que aconteceu com sua amiga Daniela. Uma história de amor e luta contra o preconceito, filmada em tom amável com as personagens. 

Na terça, dia 30, um programa duplo do diretor David Pablos – As Escolhidas (16h) e A Vida Depois (18h30). No primeiro, uma dura história de prostituição de menores na fronteira do país. No outro, dois irmãos na estrada em busca de uma mãe que se desencontrou deles e foi à procura do seu próprio destino. Um terno road movie. Pablos é diretor para se prestar atenção. A Mostra fecha na quarta com Manhã Psicotrópica, de Alejandro Aldrete (16h), e O Bom Cristão (18h30), de Izabel Acevedo.

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