Mostra de Tiradentes chega à 4ª edição

Começa no próximo dia 19 a quarta edição da Mostra de Cinema de Tiradentes. Até o dia 27, a cidade sedia a mostra que inaugura, pela quarta vez consecutiva, o calendário de eventos audiovisuais do Brasil. Serão apresentados cerca de 100 filmes, entre longas e curtas-metragens em 35 e 16 milímetros e vídeos brasileiros, além da realização de seminários, oficinas, exposições e performances com artistas locais. Segundo Raquel Hallak, coordenadora geral do evento, a mostra ganhou credibilidade em três anos de existência e hoje tem uma estrutura ideal. "A mostra tem sido descoberta como espaço de promoção e divulgação, por não ter caráter competitivo", diz, reiterando que um dos maiores objetivos da organização é cumprir a função social de aproximar o público da sétima arte. "Tiradentes, uma das cidades históricas mais importantes e ricas culturalmente, não tem um cinema sequer". Raquel ressalta que com a ampliação do número de oficinas se pretende preparar também mão-de-obra especializada.Para Ângelo Oswaldo, secretário de cultura do Estado de Minas Gerais, o evento é hoje uma referência nacional. "A Mostra está consolidada. É fundamental que Minas tenha um evento desse tipo que projete o Estado nacionalmente", afirma. Este ano a curadoria buscou homenagear as mulheres. São quatro séries de longas-metragens, sendo duas dedicadas às mulheres. A primeira, chamada Mulheres em Cena, traz trabalhos de diretoras que afirmaram neste fim de milênio a predominância e importância das mulheres na produção cinematográfica brasileira atual, como Tetê Moraes, Laís Bodanzky, Tatá Amaral e Lúcia Murat. A outra é a Retrospectiva Odete Lara, que acontece nos dias 24 e 25 e homenageia a atriz, que foi a sensação das telas nas décadas de 60 e 70 antes de afastar-se do cinema. Odete estará presente em Tiradentes no dia 24. A grande homenageada desta edição, entretanto, é a cineasta paulista Ana Carolina. Serão exibidos, após uma homenagem oficial na abertura do evento, três curtas da diretora, Indústria, Monteiro Lobato e Pantanal. Segundo Francesca Azzi, uma das curadoras, as mulheres sempre estiveram presente no cinema brasileiro, mas em 2000 elas se sobressaíram também na direção e, por isso, recebem um destaque especial nesta edição da mostra. Outras 100 personalidades ligadas ao cinema visitarão a mostra, que recebe Odete Lara e Ana Carolina. Entre elas, o Ministro da Cultura Francisco Weffort, e o Senador Francelino Pereira (relator da Comissão Nacional de Cinema do Senado Federal), além de atores, diretores e produtores.Vários gêneros, várias formas - Além das duas séries homenageando mulheres em longas, há outras duas que, segundo Raquel, buscam retratar um panorama do cinema nacional. São elas a Novos Rumos, com produções de diretores estreantes no longa-metragem , e a Cinebrasil, que traz nomes consagrados do cinema brasileiro, com filmes premiados de grandes diretores importantes para a história do cinema nacional. Ao todo, serão 30 filmes longa-metragem e 10 lançamentosOs curtas receberam atenção especial da curadoria, com dois dias de exibição exclusiva. São 41 filmes e duas pré-estréias, em seis séries, privilegiando as produções mineiras, principalmente na série Novos de Minas, em que serão mostrados filmes de diretores premiados, como Patrícia Moran, Rogério Terra Jr. e Bel Bechara. As outras séries são Cinema em 16, Animação, De Norte a Sul, De Norte a Sul 2 e Mais Ficção. Segundo Francesca, a produção mineira tende a ser ainda melhor em 2001, graças à reedição do Prêmio Estímulo Curta Minas, pelo Estado de Minas Gerais. Quanto aos vídeos, continua o destaque à produção mineira. A grade está dividida em três programas que mostram um panorama geral dos vídeos mineiros de documentário e ficção. São eles Retrospectiva Carlos Nader, Retrospectiva Vídeo nas Aldeias e Safra Brasil. Além deles, será apresentado ao público o Manifesto Queima Filme, cinco trabalhos em vídeo digital que pretendem ser uma "mostra dentro da mostra", segundo os organizadores. Também nos vídeos há lançamentos previstos: serão quatro, no total, todos produzidos em Minas em 2000.Haverá também uma série especial para o público infanto-juvenil, chamada Mostrinha de Cinema, com a exibição dos filmes O Cavalinho Azul, Castelo Rá-Tim-Bum, Zoando na TV, Os Três Zuretas, Xuxa Pop Star e O Anjo Trapalhão . Outras atividades - Acontece durante a mostra o 2º Seminário do Cinema Brasileiro. Segundo Hallak, uma das principais discussões será a questão da produção fora do eixo Rio-São Paulo, além de levantamento dos problemas e progressos do cinema brasileiro atual.Haverá também duas exposições. As Janelas do Cinema mostra fotografias dos longas a serem exibidos este ano e das homenageadas Ana Carolina e Odete Lara. A outra é Uns 300 Anos de Janela, organizada pela artista plástica e moradora de Tiradentes, Maria José Boaventura. De acordo com a artista, esta exposição procura estabelecer uma relação entre a cidade e o cinema, estimulando a participação dos moradores através de intervenções nas janelas da Rua Direita, principal via do centro histórico. Serão exibidas criações e invenções, com a participação de grupos de teatro, músicos, comerciantes e historiadores, entre outros. "As pessoas estão participando ativamente. Vai ser uma verdadeira procissão da arte, a festa do barroco", diz Maria José.Este ano as oficinas tiveram o seu número e perfil ampliados. Os temas aumentaram de cinco para onze, estendidos em cursos direcionados também para o público infanto-juvenil. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas gratuitamente até o dia 12 de janeiro, pela Internet, no site oficial da Mostra ou na sede da Universo Produção (R. Pirapetinga, 567 - Serra - Belo Horizonte - Telefone (31) 3282-2366) ou ainda em Tiradentes, na Biblioteca do Ó, que fica no largo do Ó.Completam a programação algumas performances teatrais, circenses e musicais espalhadas pela cidade. Os espaços - As exibições e demais eventos acontecem no Cine Praça (2 mil pessoas), no Cine Tenda, (600 pessoas) e no Cine Teatro, que tradicionalmente funciona no Centro Cultural Yves Alves (150 pessoas). Com relação aos espaços, haverá uma novidade, a Tenda Tecnológica. É um espaço interativo com equipamento de última geração da área de cinema e vídeo, com capacidade para 300 pessoas. Terá uma programação temática sobre a nova safra do cinema brasileiro e abrigará algumas oficinas.

Agencia Estado,

15 de janeiro de 2001 | 15h03

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