Mostra de Leila Diniz abre espaço a Alcoriza e Buñuel

Dois eventos paralelos movimentam amanhã e quinta-feira a grande mostra dedicada a Leila Diniz, no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo. Aproveitando que a bela Leila participou do episódioDivertimento, de Jogo Perigoso, que o mexicano LuisAlcoriza filmou no Brasil, os curadores Eugênio Puppo e DanielBrandão abrem uma brecha dedicada ao cineasta. Haverá umaexibição de filme (Mecânica Nacional, às 17 horas), seguidade debate, às 19 horas. Como Alcoriza foi colaborador de LuisBuñuel (em O Anjo Exterminador, principalmente), o outroevento paralelo privilegia o mestre surrealista. Haverá outraexibição, na quinta-feira (Los Olvidados, às 17 horas),também seguida de debate, às 19 horas. Em ambos os casos, odebatedor é sempre o mesmo - o crítico, escritor e roteiristaTomás Pérez Turrent.Ele chega amanhã ao Brasil. Na segunda, conversou pelotelefone com a reportagem, desde a Cidade do México. Turrentestá contente com essa oportunidade de vir ao Brasil para falarsobre um cineasta que considera injustiçado: Alcoriza. Tambémquer falar sobre o Buñuel que teve o privilégio de conhecer edesfazer equívocos. "No México, pelo menos, a idéia que aspessoas fazem do surrealismo é de que se trata de uma escola oumovimento que privilegia o que foge aos limites do realismo, oque não faz sentido. Na verdade, há um rigoroso sentido em tudoo que os surrealistas fazem e entre eles incluo Buñuel, claro. Oque lhe interessava era colocar a totalidade do homem na tela,para daí refletir o mundo. Essa totalidade vai além da realidadeque nos cerca e da qual fazemos parte para abarcar os sonhos, odesejo, todos os mecanismos do inconsciente."Turrent conta que conheceu Buñuel brevemente no México.Mais tarde, reencontrou-o na França, quando, num arroubo juvenil, foi bater à porta do grande diretor, pedindo-lhe que ocontratasse como assistente. Ficaram amigos e Turrent terminouescrevendo Conversaciones con Luis Buñuel, cujo modelo, eleadmite, foi o livro com a entrevista que François Truffaut fezcom o mestre Alfred Hitchcock. Turrent diz que hoje em dia oequívoco está desfeito e os grandes filmes de Buñuel no Méxicofazem parte do panteão das obras-primas do cinema. Houve umtempo em que toda a fase mexicana do artista era considerada"menor".Ele cita seus preferidos: Los Olvidados e OAlucinado, ambos dos anos 50. E diz que Buñuel era umhomem difícil de tratar na intimidade. "Era muitocontraditório." O cineasta anticlerical e antiburguês eraterrivelmente burguês, na intimidade. Tratava o filho de quase50 anos como uma criança. Fixava limites e horários rígidos paraele. "E esse era o homem que dizia que a liberdade é o bem maisprecioso do homem", lembra Turrent. Ele também acha que épreciso colocar Alcoriza no pedestal que merece. "Seusprimeiros filmes não são muito bons, mas quando ele definiu seuestilo, na época de Mecânica Nacional, virou um grandediretor, que é preciso resgatar", diz.Mostra Leila Diniz. Quarta, às 13 horas,Tiburoneros/62, de Luís Alcoriza; quarta, às 15 horas, JogoPerigoso/66, de Luís Alcoriza; quarta, às 17 horas, MecânicaNacional/71, de Luís Alcoriza, em seguida palestra com TomásPérez Turrent sobre Luis Alcoriza. Quinta, às 15 horas, SiUsted no Puede, Yo sí/50, de Julián Soler; quinta, às 17 horas,Los Olvidados/50, de Luis Buñuel, com palestra de Tomás PérezTurrent sobre Luis Buñuel. Sexta, às 13 horas, Mãos Vazias/71,de Luiz Carlos Lacerda; sexta, às 15 horas, Corisco, o DiaboLoiro/69, de Carlos Coimbra; sexta, às 17 horas, Todas asMulheres do Mundo/66, de Domingos de Oliveira. Sábado, às 13horas, Mineirinho, Vivo ou Morto/67, de Aurélio Teixeira;sábado, às 15 horas, Edu, Coração de Ouro/67, de Domingos deOliveira; sábado, às 17 horas, Fábula... Minha Casa emCopacabana/65, de Arne Suksdorff, após a sessão debate com RuyGardinier e Lécio Augusto Ramos. Domingo, às 13 horas, Amor,Carnaval e Sonhos/72, de Paulo César Saraceni; domingo, às 15horas, O Donzelo/71, de Stefan Wohl; domingo, às 17 horas,Fome de Amor/68, de Nelson Pereira dos Santos. De quarta adomingo. R$ 8,00 e R$ 4,00. Centro Cultural Banco do Brasil. RuaÁlvares Penteado, 112, centro, São Paulo, tel. 3113-3651. Até domingo.

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