Ascot Elite Entertainment Group
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Mostra de Cinema terá cartaz de Ai Weiwei e 'Human Flow' na abertura

A 41.ª Mostra de São Paulo, que ocorre de 19 de outubro a 1.º de novembro, faz retrospectiva de Paul Vecchiali; veja alguns destaques do festival

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2017 | 06h00

Renata de Almeida bateu o martelo ontem, 21, à tarde. “Ainda dependíamos da aprovação dele para uma série de detalhes. Com o (Martin) Scorsese foi a mesma coisa. Afinal, é o nome deles.” Agora, é oficial. O pôster da 41.ª Mostra de São Paulo, que neste ano ocorre de 19 de outubro a 1.º de novembro, será de Ai Weiwei. O artista chinês, que também é designer arquitetônico, artista plástico, pintor, comentarista e ativista social, deu seu aval e, a partir de hoje, a equipe que vai transformar o cartaz em vinheta já começará a trabalhar. Com o pôster, também fica resolvido que o filme de abertura – dia 18, à noite, no Auditório Ibirapuera – será Human Flow, o longa de Weiwei que passou no recente Festival de Veneza.

Human Flow aborda o problema dos refugiados. “Mas eu nunca vi nada parecido com o que ele (Weiwei) propõe. A TV nos acostumou a um certo olhar sobre o problema. Expõe a tragédia e, às vezes, fica até difícil olhar o que é mostrado. Weiwei humaniza seus refugiados, trata-os como pessoas. Filma crianças e, no meio de todo o horror, elas permanecem crianças. Brincam”, emociona-se Renata. A menos de um mês da abertura do maior evento de cinema de São Paulo, a Sra. Mostra reuniu-se com o Estado para antecipar algumas das maiores atrações deste ano.

Em primeiro lugar, a crise. Sim – foi difícil montar a operação financeira, mas a Mostra sempre pode contar com a Petrobrás, que resiste a tudo. Outros patrocinadores e apoiadores podem ter redefinido seus valores, mas, no limite, o cinéfilo pode relaxar.

Habemus Mostram. Teremos Mostra. Serão em torno de 300 filmes. Nessa verdadeira avalanche, parece impossível tentar identificar um tema. Renata, que tem seus colaboradores mas bate o martelo da seleção, avalia: “Existem linhas temáticas muito fortes que apontam para os grandes temas da contemporaneidade, mas acho que se pode resumir, sim, que a próxima Mostra terá um tema, e será o estado do mundo. Se isso abrange tudo, ou pulveriza tudo, não é culpa minha.” E ela ri.

Já houve tempo em que, a esta altura, Renata estaria arrancando os cabelos, com a Mostra na rua mas não confirmada, sempre por causa do terrível flagelo (da falta) do dinheiro. Apesar de tudo, progredimos. A Mostra, que nasceu como um ato de resistência à ditadura militar, virou uma instituição cultural. De São Paulo, do Brasil – do mundo. Com o pôster e o filme de abertura, muitas outras coisas podem ser confirmadas. A 41.ª Mostra terá o foco na Suíça, com direito a retrospectiva de Alain Tanner, mas o autor de obras míticas como Jonas Que Terá 25 Anos no Ano 2000 dificilmente estará presente. Aos 88 anos – nasceu em 1929 –, sente-se debilitado para grandes viagens. É mais provável que venha a filha.

Embora nascido apenas um ano depois dele – em 1930 –, Paul Vecchiali, autor francês de filmes malditos que terminaram por se impor como obras cultuadas, já anunciou que vem receber seu Prêmio Leon Cakoff e, claro, prestigiar a retrospectiva em sua homenagem. A tradicional sessão ao ar livre, com orquestra, no Ibirapuera, será de O Homem-Mosca, clássico de 1923, de Fred C. Newmeyer e Sam Taylor, com o mítico Harold Lloyd dependurado no ponteiro de um relógio. 

A Mostra anuncia seus destaques ‘do coração’: 24 Frames, filme póstumo de Abbas Kiarostami; Loveless, do russo Andrey Zvyagintsev; O Amante de Um Dia, de Philippe Garrel; La Cordillera, de Santiago Mitre; La Telenovela Errante, de Valeria Sarmiento e Raúl Ruiz (também seu filme póstumo); L’Atelier, de Laurent Cantet; e Visages, Villages, que muito bem pode ter sido o melhor filme da seleção oficial de Cannes neste ano. Não, Agnès Varda provavelmente não virá – sua vida ingressou num verdadeiro turbilhão, desde que a Academia de Hollywood anunciou que vai lhe outorgar um Oscar oficial de carreira.

Por falar em Cannes, quais os grandes premiados internacionais que a Mostra trará? A lista começa com o vencedor da Palma de Ouro – The Square, de Ruben Ostlund, o enfant terrible da Suécia. Inclui dois vitoriosos da recente mostra Horizontes, do Festival de Veneza – No Date, No Signature, de Vahid Jalilvand, e Oblivion Verses, de Alireza Kathami. E mais Felicité, de Alain Gomis, e O Outro Lado da Esperança, de Aki Kaurismäki, premiados em Berlim; Free and Easy, de Jun Geng, que ganhou o prêmio especial do júri em Sundance, e mais um grande etc. Com tais aperitivos, será, com certeza, uma grande Mostra. / COLABOROU UBIRATAN BRASIL

OUTROS DESTAQUES

The Square

De Ruben Östlund, ganhador da Palma de Ouro em Cannes

Lover For a Day

De Philippe Garrel

La Telenovela Errante

De Valeria Sarmiento e Raúl Ruiz

L’Atelier

De Laurent Cantet

24 Frames

Direção de Abbas Kiarostami

Visages, Villages

De Agnès Varda, que receberá o prêmio Humanidade

Loveless

De Andrey Zvyagintsev

O Outro Lado da Esperança

De Aki Kaurismäki

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