Mostra de Cinema de SP revelou grandes diretores

A cada ano os críticos indicam suaspreferências e filmes imperdíveis. Mas a verdade é que um dosgrandes encantos da Mostra reside na descoberta daquilo que nãose conhece. E, com a história acumulada de 30 anos, a Mostra deSão Paulo já pode contabilizar várias "descobertas". Cineastasque vieram aqui apresentar seu primeiro trabalho e depois setornaram famosos. Ou diretores já consagrados, mas que por umdesses insondáveis mistérios da distribuição comercial do cinemaeram ainda ilustres desconhecidos por aqui. Afinal, não foipelas mãos da mostra que o hoje cult Quentin Tarantino se tornounome familiar aos brasileiros? Não foi na Mostra que o portuguêsManoel de Oliveira fez seu début em São Paulo? O tambémpremiadíssimo Kusturica entrou no País pela porta da Mostra,assim vários outros de seus colegas de talento e estrelato.Artavadz Pelechian: Na 18.ª Mostra houve a retrospectivahistórica de um diretor mal-humorado e taciturno. Alguns dosseus curtas e médias-metragens foram apresentados no CentroCultural São Paulo e quem participou da experiênciacinematográfica saiu transformado. Pelechian faz um cinemaestranho, sem diálogos, com música intensa. Tem entre seusseguidores gente como Godfrey Reggio e Ron Fricke. Pelechian nãofala muito. Seu cinema diz tudo.Manoel de Oliveira: O mestre português é o mais idoso cineastaem atividade. Em setembro, lépido em seus 97 anos, foiconsagrado em Veneza com a apresentação de Belle Toujours. Noentanto, ninguém sabia quem era quando, na 3.ª Mostra, trouxeseu Amor de Perdição, adaptação de Camilo Castelo Branco paraa tela. Manoel faz um cinema reflexivo e literário, de grandepureza visual. Seu ritmo é de um filme por ano. Para nãoenferrujar. Krzysztof Kieslowski: Mesmo os cinéfilos mais informadosestranharam esse nome impronunciável na programação da 5.ªMostra. Mas, depois de verem Amador, todos começaram a prestaratenção no trabalho do diretor polonês. Dono de uma obra intensa poética e reflexiva ao mesmo tempo, Kieslowski se consagrou comfilmes como A Dupla Vida de Veronique, a série Decálogo e amagnífica trilogia sobre as cores da bandeira francesa. Jos Stelling: Há uma história curiosa sobre o desconhecidodiretor holandês Jos Stelling. Comovido ao ver a enorme fila quese formara para assistir ao seu filme, ele se dirigia às pessoase perguntava uma a uma o que a havia motivado a conhecer a obrade um cineasta anônimo como ele. A maior surpresa, no final, foido próprio Stelling. Ele, que havia chegado ao Brasil sem nadaesperar, acabou vencendo a 9.ª Mostra com seu filme OIlusionista. Emir Kusturica: Low profile o bósnio Emir Kusturica nunca foi.Mas também quem era aquele cara que trazia um cinema cheio desom e fúria? Quem se Lembra de Dolly Bell?, programado na 6.ªMostra, foi o cartão de visitas do bósnio. Depois, todos oscinéfilos passaram a esperar com certa ansiedade o "novoKusturica". E eles vieram em profusão: O Ano em Que Papai Saiuem Viagem de Negócios, Vida Cigana, Underground. Filmesviscerais. Indispensáveis.

Agencia Estado,

19 de outubro de 2006 | 11h01

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