MOSTRA SP
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Mostra de Cinema de São Paulo: imagem e palavra para retratar o estado do mundo em 300 filmes

Evento que começa em São Paulo faz da escrita, em obras de Godard e Laurie Anderson, um ponto de referência para a compreensão da crise

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2018 | 06h00

Será uma Mostra de grandes comemorações – 20 anos de Central do Brasil, de Walter Salles; 30 anos de Asas do Desejo, de Wim Wenders, e Feliz Ano Velho, de Roberto Gervitz; 50 anos de O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla, e O Bravo Guerreiro, de Gustavo Dahl; 200 anos de Karl Marx, com vários filmes. E a 42.ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que começa nesta quarta, 17, para convidados, com o filme A Favorita, de Yorgos Lanthimos, trará todo o ouro do mundo, os vencedores de Cannes (Assunto de Família, de Hirokazu Kore-eda); Berlim (Não Me Toque, de Adina Pintilie); Locarno (Uma Terra Imaginada, de Siew Hua Yeo); e Veneza (Roma, de Alfonso Cuarón).

No total, serão 300 filmes, em 31 pontos de exibição – 70 brasileiros e 30 latino-americanos. Como sempre, a Mostra dá a volta ao mundo e abre uma janela para que o cinéfilo descubra as novas tendências do cinema mundial. O compromisso do evento com o novo leva à suprema inovação – um aplicativo que, além de trazer a programação completa e atualizada, com notícias da Mostra em tempo real, também permitirá as compras de credenciais digitais, a compra de ingressos (ou a reserva para credenciados).

Para o cinéfilo que só quer ver filmes, a oferta é tão variada quanto impressionante. Mas Renata de Almeida, que organiza a festa, observa. Desde o cartaz de Laurie Anderson, que inspira a vinheta e uma grande exposição em realidade virtual, Chalkroom, no anexo do Cinesesc – outra novidade –, a Mostra deste ano tem um compromisso muito forte com a palavra. Não por acaso, Jean-Luc Godard, que segue revolucionário – da linguagem – aos 87 anos, participa da seleção com Imagem e Palavra. Em parceria com o Spcine e o Cinema do Brasil, deverá ocorrer pela primeira vez o Mercado de Ideias Audiovisuais e, pela segunda, o Fórum Mostra. É importante discutir – as novas tendências e o estado do Brasil e do mundo.

Como contribuição ao debate sobre o ódio que nos dilacera, Spike Lee propõe Infiltrado na Klan, e o filme, que evoca os anos 1970, chega no desfecho a 2017 e aos eventos sangrentos de Charlottesville, que expõem a era Donald Trump. A política e o ódio atravessam a programação com Amos Gitai (Carta para um Amigo em Gaza) e Lars Von Trier (A Casa Que Jack Construiu). Nem com toda a boa vontade do mundo você conseguirá assistir a todos os 300 filmes anunciados. Talvez uns 10%, ou 5%. Mas existem obras que são essenciais, viscerais (abaixo). Como contribuição para um mundo melhor, a Mostra segue com suas premiações honorárias. O prêmio Humanidade de 2018 será atribuído ao japonês Kore-eda e ao brasileiro Drauzio Varella. O iraniano Jafar Panahi, confinado em seu país, será homenageado com a exibição de seu (talvez) melhor filme, 3 Faces, e com o Prêmio Leon Cakoff. 

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