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Mostra de Cinema Chinês volta a acontecer após quase dois anos de hiato por conta da pandemia

A abertura conta com a estreia internacional do filme 'Tudo ou Nada', de Zhou Hao; toda a programação pode ser acompanhada online

Luiz Carlos Merten , Especial para o Estadão

01 de novembro de 2021 | 10h00

Nem só de Mostra estão vivendo os cinéfilos. No seu formato híbrido, o evento está sendo acompanhado pelo público presencialmente, em São Paulo, e no online onde quer que seja acionada a plataforma Mostra Play. Nas salas, a bem da verdade, só estão bombando os filmes avalizados pelos grandes festivais estrangeiros. Outros eventos de cinema não faltam. Nesta segunda, 1º, começa a 6ª Mostra de Cinema Chinês, promovida pelo Instituto Confúcio, da UNESP, com curadoria de Wang Yao. Vai até dia 20, de forma online e gratuita. Na terça, 2, começará presencialmente o Festival de Cinema Italiano, mas essa é outra história, como diria Moustache em Irma La Douce, de Billy Wilder. 

A Mostra chinesa volta depois de um hiato de quase dois anos – foi inviabilizada pela pandemia, no ano passado. Será inaugurada em alto estilo por Tudo ou Nada, de Zhou Hao, que terá sua primeira exibição internacional, fora da China. Indicado a melhor documentário no FIRST International Film Festival deste ano, acompanha um homem e uma mulher de meia-idade que sofrem do transtorno de Estresse Pós-Traumático. Encaram a vida como sofrimento infinito. Haverá redenção? O tema, tão necessário nesses tempos conturbados, é a inclusão social. O filme estará disponível na plataforma Cultura em Casa, juntamente com o restante da programação. Haverá live do diretor com a estudiosa da USP, Cecília de Melo. 

Esses quase dois anos foram de dificuldades nas relações entre Brasil e China, por conta da pandemia. Não foram poucas as acusações oficiais que a China recebeu pelo ocultamento da Covid-19 e pela suposta ineficácia de sua vacina, que terminou aceita. O cinema tentará reatar, por meio da arte, o vínculo tão necessário. Filmes permanecem como uma das grandes formas que a humanidade encontrou para se comunicar, independentemente de fronteiras. O que não faltam são filmes que chegam precedidos de referências da crítica e o aval do público. Alguns exemplos. O drama tibetano Balão, de Pema Tseden, recebeu mais de 20 prêmios em todo o mundo, incluindo o Festival de Veneza. Aves Suburbanas, de Qiu Sheng, foi aclamado em Locarno. Um Porto Seguro, de Li Xiaofeng, passou pelos festivais de Macau e Shangai. Quatro Primaveras, de Lu Qingyi, concorreu a melhor documentário no Golden Horse Film Festival. Quero Uma Vida Com Você, longa de estreia de Sha Mo, foi um estrondoso sucesso de bilheteria na China. 

Tudo ou Nada tem o título internacional de All In. Conta a história de uma psicoterapeuta que teve uma experiência traumática na infância. O pai levou-a a um hospital, pediu que esperasse e se atirou do alto para a morte. De certo, já esperava que a menina recebesse acolhimento dos profissionais de saúde. A morte do marido, anos mais tarde, reavivou penosas lembranças. O protagonista masculino era criança quando foi abusado. Isolou-se do mundo. Tudo ou Nada não é só sobre pessoas sofridas e a possibilidade de redenção, um tema universal. É sobre a própria natureza do documentário, que Zhou Hao questiona o tempo todo. Até que ponto uma câmera pode ser invasiva? O que é ético mostrar, ou não? A mostra chinesa não poderia decolar de forma mais estimulante. 

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