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Mostra celebra o melhor da arte do ator e diretor Mel Brooks

Programação resgata 'Banzé no Oeste' e 'O Jovem Frankenstein'

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

04 Março 2015 | 03h00

Críticos tradicionais sempre disseram que, com um bom roteiro e um mínimo de savoir-faire, é possível fazer um bom western, um thriller eficiente. Para acertar na comédia, é preciso muito mais. Timing, maleabilidade física e, se o humor é verbal, diálogos bem escritos, cuspidos taco-no-taco. No CCBB, começa hoje a retrospectiva de Jerry Lewis - O Rei da Comédia -, que pode não trazer todo o autor, mas oferece uma seleção atraente do melhor que ele fez como ator e/ou diretor. Amanhã tem mais humor, e na Praça da Unidade do Sesc/Pinheiros, começa outra seleção dedicada a Mel Brooks.

Durante todas as quintas-feiras do mês, nos dias 5, 12, 19 e 26, serão exibidos quatro clássicos do ator e diretor, integrando o projeto Comediantes Como os de Antes, que tem como objetivo resgatar realizações de grandes artistas que marcaram a história do cinema. A programação começa com Banzé no Oeste e prossegue, pela ordem, com Primavera para Hitler, O Jovem Frankenstein e A Última Loucura de Mel Brooks. De Mel Brooks pode-se dizer o mesmo que de Leonard Nimoy, que morreu na semana passada. É único e é múltiplo. Nascido Melvin Kaminsky numa família judaica de New York, em 1926 - tem 88 anos -, é ator, diretor, produtor, roteirista, compositor e letrista.

 

No começo, escrevia para Sid Caesar no show Broadway Review - foram dez anos de colaboração. Estabeleceram sua reputação como humorista feroz, não raro demolidor. E veio nova parceria - com Buck Henry, com quem escreveu e produziu a série Agente 86, que transformou Don Adams, graças ao personagem Maxwell Smart, num mito da época. Sua estreia no cinema foi com o curta The Critic, que lhe valeu um prêmio da Academia. Em 1968, fez o primeiro longa, The Producers, que venceu o Oscar de roteiro. Lançado no Brasil anos mais tarde, com o título de Primavera para Hitler, o filme foi montado como musical na Broadway, em 2000 - e ganhou nova versão para cinema em 2003, com Nathan Lane e Matthew Broderick.

No original, Zero Mostel é o produtor que propõe um negócio escuso para Gene Wilder. A ideia é levantar dinheiro para o pior show do mundo, vendendo antecipadamente os ingressos. De posse da bolada, Mostel espera voar para o Rio e desfrutar da dinheirama, mas ocorre o improvável - o show estoura, vira fenômeno de público. Conta a lenda que Mel Brooks se inspirou no lendário Pandemônio, de H.C. Potter, de 1941, criando números insanos como Springtime for Hitler. A ideia era causar - um judeu celebrando o super-homem nazista -, numa época, os transformadores anos 1960, em que os comportamentos estavam mudando e tudo parecia permitido.

Nos anos e filmes seguintes, Mel Brooks perfeccionou sua especialidade - a paródia (o pastiche?) de gêneros clássicos, cujos clichês assume e leva ao limite, como forma de potencializar o humor. Foi assim que, em, 1974, e cercado pelo mesmo elenco - Gene Wilder, Marty Feldman, etc. -, logrou dois de seus melhores filmes. Satirizando os códigos de western, fez Banzé no Oeste, e os de terror, O Jovem Frankenstein. Em A Última Loucura de Mel Brooks, voltou ao velho burlesco, homenageando/recriando o cinema mudo. Seu humor é muitas vezes fácil, grosseiro - e sempre eficiente. Em 1964, casou-se com Anne Bancroft. Permaneceram juntos até a morte dela, em 2005, mais de 40 anos depois. Seu estilo de humor judaico/nova-iorquino difere do de Woody Allen, mas ambos foram (são) os grandes dessa tendência. Produziu obras de grandes diretores, como O Homem Elefante, de David Lynch, e A Mosca, de David Cronenberg.

OBRAS ESSENCIAIS

Primavera para Hitler

Um musical planejado para fracassar na bilheteria vira o maior sucesso, e isso prejudica o golpe preparado pelo produtor Zero Mostel para fugir com o dinheiro. Grandes números incluem uma parada militar em homenagem ao Führer. A demência é tanto maior se você pensar que se trata de um diretor e um ator (Zero Mostel) judeus que fazem rir com uma (falsa) celebração do nazismo. Vencedor do Oscar de roteiro, virou musical da Broadway e, como tal, teve nova versão no cinema

Banzé no Oeste

Mel Brooks nunca teve medo de ser grosseiro e aqui atinge o máximo de sua escatologia, como ator e diretor. Os caubóis, que só comem feijão, passam o filme liberando gases. Foi seu primeiro grande êxito, uma sátira de faroeste com um xerife negro (Cleavon Little) às voltas com vilão sinistro (Harvey Korman) e a cantora de saloon no estilo de Marlene Dietrich (Madeline Kahn). Gene Wilder, Slim Pickens e Dom DeLuise também estão no elenco e o filme é o mais engraçado do diretor

O Jovem Frankenstein

Aqui, a sátira é ao gênero terror, por meio da história de cientista louco que tenta criar homem com restos de cadáveres e produz um monstro. Mary Shelley nunca pensou numa versão como essa para seu Frankenstein. Mel Brooks, Gene Wilder, Madeline Kahn, Cloris Leachman e Peter Boyle (como o monstro), todos divertem, mas Marty Feldman rouba a cena como o corcunda Igor. No máximo de incorreção com a deformidade física do personagem, a corcova muda de lado toda hora. Vale tudo pelo humor.

A Última Loucura de Mel Brooks

Cercado de colaboradores fiéis (Marty Feldman, Sid Caesar, Dom DeLouise) e com participações especiais de Anne Bancroft, Paul Newman e Liza Minnelli, Mel Brooks recria o velho cinema mudo por meio da história de produtor que planeja retorno triunfal, mas tudo sai errado.

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