Mostra BR de Cinema terá 350 filmes

A abertura oficial da Mostra BR de Cinema - 29.ª Mostra Internacional de Cinema São Paulo, no Memorial da América Latina, será no dia 20, com o longa Good Night and Good Luck, de George Clooney, sobre o macarthismo. Também será exibido o curta Meu Pai Tem 100 Anos, escrito por Isabella Rossellini, sobre seu pai, Roberto Rossellini. A direção é do canadense Guy Maddin, homenageado na Mostra do ano passado. Em 29 anos de existência, a Mostra Internacional de São Paulo cumpriu um papel fundamental. Brigou com a censura do regime militar, mostrou o potencial do cinema de arte para o mercado, revelou cinematografias e autores que talvez nunca tivessem chegado, ou que certamente demorariam mais, para chegar ao País. O iraniano Abbas Kiarostami, o português Manoel de Oliveira e o israelense Amos Gitai devem sua glória no Brasil à Mostra de São Paulo. Quando se fala na Mostra, fala-se, na verdade, de Leon Cakoff. No sábado, ele fez, na Sala 1 do Unibanco Arteplex, a coletiva de lançamento da 29ª Mostra. Acompanhado pela mulher, Renata de Almeida, Cakoff mostrou os parceiros e anunciou a seleção da Mostra de 2005, os 350 títulos - cerca de 300 longas -, que vão fazer os cinéfilos paulistanos correrem de um canto a outro da cidade, durante duas semanas, a partir de 21, para dar conta de tamanho banquete do cinema. Há parcerias que são tradicionais - a do Sesc, por exemplo. Há novos parceiros - a Bombril, que este ano cria um prêmio em dinheiro para os filmes brasileiros da Mostra, R$ 25 mil para a melhor ficção, R$ 15 mil para o melhor documentário. Existem numerosos apoios (Unibanco, Secretaria de Estado da Cultura), mas a grande patrocinadora é a Petrobras, que se associou à Mostra em 2001 e, desde então, passou a bancá-la, o que explica a incorporação da marca ao próprio nome do evento. A Mostra Internacional de São Paulo virou Mostra BR. Os cinéfilos entendem e agradecem. Isabella Rossellini é uma das convidadas possíveis da 29ª Mostra. Se ela não der as caras, a musa da Mostra deste ano poderá ser a espanhola Victoria Abril, que agora é cantora e vem apresentar um show no Sesc Pinheiros. Manoel de Oliveira é sempre um convidado especial, mas este ano ele não apenas apresenta seu novo filme, Espelho Mágico, com Leonor Silveira e Marisa Paredes. Também será homenageado com uma retrospectiva e o lançamento de um livro com o selo Mostra, da Editora CosacNaify. No quesito homenagens, a Mostra ainda presta tributo ao centenário, no ano que vem, de Roberto Rossellini (o curta Meu Pai Tem 100 Anos integra a programação) e resgata o lendário Victor Sjostrom, grande diretor sueco que o próprio Ingmar Bergman considera seu mestre. Sjostrom, a par dos filmes que fez (A Carroça Fantasma, O Vento), é inesquecível como intérprete do papel do velho professor Isak Borg na obra-prima Morangos Silvestres. Mais homenagens - à rede franco-alemã Arte, responsável por boa parte do cinema europeu de qualidade que se faz hoje; a Sergei M. Eisenstein, já que a versão restaurada de O Encouraçado Potemkin, após o Rio, também será exibida na Mostra, com acompanhamento musical ao vivo.Já conhecidas do público, as sessões gratuitas no vão livre do Masp prosseguirão com filmes adaptados de obras literárias ou que permitam discutir a relação entre literatura e cinema. O Festival da Juventude, voltado à formação de público, chega ao seu quinto ano. E, como não se faz uma grande Mostra sem debate, estão programados workshops e seminários, incluindo um que deve trazer à cidade, em parceria com a FAAP, o diretor Danis Tanovic e o produtor Cedomir Kolar, de Terra de Ninguém que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. Entre mais de 300 filmes, é arriscado citar uma dezena. O público, como sempre, quer ver logo os novos filmes de diretores consagrados como David Cronenberg (Marcas da Violência), Wong Kar-wai (2046), Wim Wenders (Don´t Come Knocking), Lars Von Trier (Manderlay) e Jim Jarmusch (Flores Partidas). Todos integram a programação. O cinema brasileiro comparece com os grandes vencedores da Première Brasil, no Festival do Rio - Cidade Baixa, de Sérgio Machado; Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes; e Crime Delicado, de Beto Brant. O cinéfilo, em êxtase, pode iniciar o aquecimento e a contagem regressiva. A Mostra já vai começar.

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