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Mostra '8 ½ Festa do Cinema Italiano' celebra Fellini

A essência da Itália reunida em 7 filmes pode ser conferida no Espaço Itaú Frei Caneca

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2016 | 11h49

De Atlanta, na Georgia – etapa intermediária do road movie que ‘gira’ (roda) nos Estados Unidos; seu destino final é Miami –, Paolo Virzì conta a gênese de Loucas de Alegria. “Estava girando Capital Humano e Micaela veio me visitar no set. Micaela é minha mulher. Tinha uma relação superficial com Valeria (Bruni Tedeschi), mas as duas tiveram uma comunicação imediata. Fizeram uma festa. E eu, ao ver aquelas duas mulheres exuberantes, pensei comigo que poderia canalizar aquela energia para um novo filme. Ainda não havia terminado Capital Humano e La Pazza Gioia já estava tomando forma na minha cabeça.” Talvez porque, no fundo, um filme sobre duas loucas que se rebelam contra a ordem do mundo fosse a consequência natural da visão crítica sobre o estado do planeta – das relações econômicas e sociais – que Virzì mostra em Capital Humano.

Mas é como Loucas de Alegria – “Adorei o título brasileiro”, confessa o diretor e corroteirista (com Francesca Archibugi) – que o novo Paolo Virzì abre nesta quinta-feira, 25, a 8½ Festa do Cinema Italiano. O título homenageia o clássico de Federico Fellini, de 1963, e o evento que surgiu em Lisboa tem por objetivo abrir uma janela para o cinema italiano contemporâneo. O conceito – sete dias, sete filmes, sete cidades brasileiras. São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. Um desses títulos é de 2004, portanto, tem mais de dez anos, mas As Consequências do Amor justifica-se por ser um filme importante de Paolo Sorrentino, diretor sacralizado por Hollywood e hoje, de forma até um tanto exagerada, o grande autor ‘internacional’ do cinema italiano. Até como provocação, pode-se dizer que As Consequências do Amor é do tempo em que Sorrentino era bom de verdade, antes de virar ‘gênero’ (com Juventude e o megassucesso A Grande Beleza). Toni Servillo, hoje o maior ator de teatro e cinema da Itália, está no Sorrentino e também em As Confissões, de Roberto Andò, sobre um monge que, com o segredo da confissão, desestabiliza uma cúpula de ministros do G-8 que estão tramando uma manobra terrível num hotel de luxo da Alemanha.

Os demais quatro filmes da programação são, como os de Andò e Virzì, obras recentes. Paro Quando Quero, de Sydney Sibilia; Não Seja Mau, de Claudio Caligari; Meu Nome É Jeeg Robot, uma verdadeira raridade, um filme italiano de super-herói, de Gabriele Mainetti; e o novo Giuseppe Tornatore, Amor Eterno, um filme de língua inglesa do diretor de Cinema Paradiso, com Jeremy Irons e Olga Kurylenko. 

Loucas de Alegria tem um lado Thelma & Louise, e Paolo Virzì não apenas gosta do formato ‘comédia dramática’ – “Nossa essência de italianos é essa mistura de humor e tragédia na hora de encarar a vida” – como considera as mulheres mais interessantes como personagens. “Pense no que seria o filme com dois homens. Para começar, seria muito mais violento, fisicamente. Não estou querendo ir contra meu gênero. Uma das cenas que mais gostei de escrever e filmar foi a do reencontro de Micaela com o filho, pelo olhar do pai adotivo. É uma coisa que me dá esperança.” O repórter, viscontiano de carteirinha, e já que se trata de uma festa para celebrar o cinema italiano – mais informações no site www.festadocinemaitaliano.com.br –, aproveita para dizer que Rocco e Seus Irmãos está de volta, com sucesso, na versão restaurada, em São Paulo. E o que Virzì acha do clássico de Luchino Visconti? “É um capolavoro, uma obra-prima. Visconti conseguiu criar a nossa autobiografia nacional. Rocco é a história da família italiana.”

8 1/2 FESTA DO CINEMA ITALIANO 

Espaço Itaú Frei Caneca. R. Frei Caneca, 569. R$ 7 a R$ 33.

www.festadocinemaitaliano.com 

 

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