'Mosfilm - 90 anos' reúne filmes do estúdio russo na Cinemateca

Karen Shakhnazarov e Sergei Eisenstein são os destaques

O Estado de S. Paulo

14 de novembro de 2014 | 09h37

Fundada em 1924, ano da morte de Lênin, a Mosfilm sobreviveu a Stálin, à Guerra Fria, ao fim da União Soviética. Sobreviveu até a Ieltsin. Continua forte e atuante até hoje, sob Putin. A grande empresa russa de cinema é objeto de homenagem em mostra da Cinemateca Brasileira, que vai até o dia 19, apresentando dez filmes produzidos sob a égide e selo da Mosfilm. A homenagem aos 90 anos da produtora é iniciativa da Cinemateca Brasileira e do UMES (União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas). Os filmes serão mostrados na Cinemateca, com entrada franca.

A ideia foi incluir nesses dez longas-metragens representantes das várias fases da empresa, escolhidos entre os mais de 2500 longas produzidos em sua longa vida. Teremos assim clássicos como Linha Geral, de Sergei Eisenstein, típico exemplar dos inventivos anos 1920, ao lado do recente Tigre Branco, de Karen Shakhmazarov, de 2012.

Os filmes refletem as diversas fases do cinema soviético e russo e suas relações com as transformações históricas do país e do mundo. Linha Geral, parceria de Eisenstein e Alexandrov, espelha a liberdade criativa (de curta duração) de que os artistas usufruíam no período pós-revolucionário. O tema desse filme é a coletivização da agricultura. É contemporâneo de obras-primas como Encouraçado Potemkim, o clássico de Eisenstein, e O Homem e sua Câmera, de Dziga Vertov.

Em títulos posteriores, como Lênin em Outubro, de Mikhail Romm, será possível notar a mudança de tom. A liberdade formal já fora substituída pelo "realismo socialista", com ingerências tanto na escolha dos temas como da linguagem cinematográfica empregada para tratá-los. Sob Stálin, a censura ganha força e os artistas perdem a liberdade de criação que fora um dos esteios utópicos do ideal revolucionário.

Com essas amarras, mesmo assim, muitos filmes continuam a ser feitos, como são os casos de As Seis da Tarde, Depois da Guerra, de Ivan Pyryev, e Primavera, de Grigori Alexandrov, o mesmo parceiro de Eisenstein em A Linha Geral. São, ambos, representantes dos anos 1940. Dos anos 50, há o exemplar de um mestre do cinema, Pudovkin, com seu Tempestade sobre a Ásia.

Das décadas seguintes, chega o muito falado e pouco visto (no Ocidente) O Fascismo de Todos os Dias, de Mikhail Romm, e a comédia Doze Cadeiras, de Lionid Gaidai. Em 1995, ano do centenário do cinema, Doze Cadeiras foi eleito a melhor comédia russa de todos os tempos.

Por fim, há os representantes dos anos 1990, surgidos em ambiente adverso, com o fim da União Soviética e a trabalhosa restauração capitalista da nação russa. Tudo isso se refletindo na indústria cinematográfica e, claro, nos filmes que dela saem. Desse período, além do já citado Tigre Branco, há Sonhos, do diretor Karen Shaknazarov, em parceria com Alexsander Borodyansky. Shakhnazarov é presidente da Mosfilm desde 1998.

O vice-presidente da empresa, Igor Bogdasanov, estará em São Paulo para acompanhar a mostra e participará de debate dia 14, às 14h, na Rua Coronel Artur Godói, 218, Vila Mariana. 

Serviço

Mosfilm - 90 anos - Cinemateca Brasileira

Data: 13 e 19 de novembro

Endereço: Largo Senador Raul Cardoso - 207

Entrada gratuita

Programação

Quinta 13/11

20h00 Tigre Branco

Sexta 14/11

17h00 A linha geral

19h30 Lenin em outubro

21h30 Às Seis da Tarde Depois da Guerra

Sábado 15/11

16h00 Primavera

18h00 O retorno de Vassily Bortnikov

20h00 O fascismo de Todos os Dias

Domingo 16/11

16h00 As 12 Cadeiras

19h00 Sonhos

Segunda 17/11

19h00 A Mãe

Terça 18/11

19h00 Sonhos

21h00 O Fascismo de todos os dias

Quarta 19/11

19h00 Tigre Branco

Os destaques

Tigre Branco

A Linha Geral

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