"Morte Densa" mostra banalização da morte

Morte Densa, dirigido por Kiko Goifman e Jurandir Müller, é um filme ainda em fase de produção, mas que você não poderá perder. É sobre a banalização da morte, sobre assassinos-de-uma-morte-só. Mata-se, com mais freqüência, o amigo, o irmão, o amante, o sobrinho, o vizinho. Vale ressaltar que não estão incluídas as situações de assalto e os casos de briga de trânsito.Esta é a conclusão de uma pesquisa realizada por Goifman através da bolsa da Fundação Vitae 98. Os diretores selecionaram sete, dos dezoito depoimentos realizados com réus confessos para o documentário. A intenção é resgatar fragmentos de um discurso social e culturalmente desprezado, ainda que significativo do ponto de vista subjetivo. Além da "cumplicidade" entre a pessoa que matou e a vítima, o filme aponta a existência de um componente moral nesses casos de assassinato. Em diversas entrevistas realizadas, a vítima sempre aparece como culpada de sua morte. O assassino aponta que "a vítima procurou a morte" e que o crime, de alguma forma, resgatou sua honra ou, ainda, reparou algo de ruim que a vítima havia feito.Há uma década Goifman pesquisa a questão da violência. Dirigiu o VT Tereza que retrata a questão do tempo na prisão e ganhou diversos prêmios no Brasil e no exterior. Agora, com o longa-metragem Morte Densa a intenção é criar entre os espectadores a expectativa e a identificação - por repulsa ou não - com os entrevistados. Para abordar o tema a metáfora escolhida foi o dia de domingo. Domingo é o dia no qual ocorre o maior número de homicídios. Morte Densa compreende um filme (em andamento), um trabalho de web art (ver site www.palaciodasartes.com.br), uma videoinstalação (atualmente em Belo Horizonte e em julho em São Paulo, no Sesc-Pompéia) e um livro.Um dos diretores do filme, Kiko Goifman é antropólogo, mestre em Multimeios/UNICAMP e realiza projetos sobre violência há mais de 10 anos. Seu vídeo Tereza (1992), que retrata a questão do tempo na prisão, ganhou diversos prêmios no Brasil e no exterior.

Agencia Estado,

25 de maio de 2001 | 19h36

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